sábado, 27 de abril de 2013

Adeus, amor


Amor, eu preciso que você me escute. Preciso que sente aqui do lado como se fosse a sua primeira visita. De mãos dadas comigo e os olhos bem abertos, para acreditar em tudo o que eu tenho para falar.
Estive pensando um pouco e decidi mandar você embora.
Preciso que solte as minhas mãos, para começar. Que deixe as paredes vazias, a luz acesa e nenhuma vela espalhada pelos cantos da casa.
Eu também preciso que você me deixe em silêncio. Quero ensurdecer sempre que um Dó e um Fá se combinarem com alguma doçura – qualquer melodia me lembraria que você existe e eu não aguento mais.
E essas flores, amor? Você pode levá-las com você?
Eu te arrumo uma caixa, claro. Assim você organiza tudo do seu jeito e deixa guardado para um outro momento, quem sabe. Mas agora eu preciso que você vá.
Preciso que me deixe, que é para eu sentir a sua falta. Para eu endurecer e amargar com o tempo, amor. E nunca mais chorar.
Preciso que você desapareça para eu não me reconhecer quando olhar em volta, vir somente a mim e não ligar nem um pouco. Para economizar abraços, poupar pensamentos e investir em coisas que são mais importantes agora.
Vai, amor. Vai bater em outra porta.
Me devolve aquela paz indiferente de quem não te sente por perto. Põe os meus pés no chão, minha cabeça no lugar e me deixa ser só pele.
Eu e você já não cabemos juntos em um só corpo, amor. E se algum de nós tem que deixá-lo, que não seja eu.


Maria Eduarda Buarque, retirado de - A prancheta.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Paira, Toni Ferreira

video

Apartament26

por Maria Eduarda Buarque

Quando chegar me espera um pouco aí fora. Eu quero ver você pelo olho mágico e preparar um sorriso bonito antes de abrir a porta.
Não me traz flores.
Não me dá nada além desses seus braços que são o melhor lugar do mundo.
Aparece de surpresa, se quiser.
Se convida para entrar, caso eu me perca na euforia e esqueça todas as regras de etiqueta. E que foda-se a etiqueta.
Bate os pés na porta, tira os sapatos, fica à vontade. A casa é minha, então é um pouco sua também.
Vai até a janela. Senta. Eu vou escolher uma música para você.
Vou descobrir a sua banda favorita e pôr para tocar só para ver você cantarolar baixinho enquanto batuca nas pernas.
Abre a geladeira, pega uma cerveja. Me dá o primeiro gole. Fala um pouco do seu dia. Juro que vou gostar de ouvir, mesmo se for uma segunda-feira.
Liga a TV e vamos arrumar um assunto, vai.
Tira o controle do lugar, bagunça os canais, escolhe um para ver. Escolhe outro. Muda. Deixa mudo.
Conta mais uma novidade. Me fala o motivo da sua visita, então.
Não – esquece.
Vem quando achar bom. Vem que eu te ofereço o meu amor mais uma xícara de café para você não querer ir embora nunca mais.

Retirado do site: A prancheta

Nota

O cara vai lançar um livro, eu ainda não li, mas com certeza deve valer muito a pena!


O romantismo é essencial


Quem respira vive, quem se apaixona se sente vivo 

IVAN MARTINS


Domingo eu me peguei com lágrimas nos olhos assistindo Across de the universe, aquele musical de 2007 feito com músicas dos Beatles. Na última cena, Jude, o protagonista, está no terraço de um edifício e canta All we need is love, pá, pá, rá, ri, rá. A garota que ele ama, Lucy, ouve a voz dele lá de baixo, da rua, e sobe até a cobertura do prédio vizinho. O filme, deliciosamente romântico, nostalgicamente anos 60, termina com os dois se olhando à distância, tendo ao fundo os prédios de Nova York e o refrão inesquecível – All we need is love, pá, pá, rá, ri, rá... 


Não sei quanto a vocês, mas eu ainda acho, ainda sinto, que o romantismo é totalmente essencial. Digo ainda porque aos 20 anos ele nos brota na pele. Aos 30 ele nos derruba e a gente imagina, erroneamente, que em algum momento ele vai se esgotar. Mas não. O tempo passa, na verdade ele voa, mas um pedaço enorme de nós anseia permanentemente pela vertigem amorosa – e se debruça feliz sobre o abismo quando ela aparece. Aos 40 anos, aos 50 e seguramente, depois.

O romance é uma forma de oxigênio existencial: se eu respiro, vivo; se eu me apaixono, me sinto vivo. 
Há um tremor de aventura e novidade em estar apaixonado. Você se debruça sobre a criatura amada e sente que ela é única. O sexo acabou faz alguns minutos, mas você ainda se sente ligado a ela por um cordão dourado e intangível. Ou então ela sofre, tem uma dor qualquer, e você a toca, abraça, consola – e teme. E se aquele corpo sumisse, levando nele o seu amor e seu desejo, o que seria de você? 
Às vezes eu entendo as pessoas que fogem da paixão e do romance. Quando ele acaba é terrível. Esperar por uma chamada telefônica que nunca vem é atroz. Sentir-se ignorado, repelido, indesejado. Ou saber que acabou, realmente acabou, mirar o outro como um fantasma e sentir em você o vazio se abrindo como um abismo, a sensação de que não há futuro, não há presente, apenas a dor, enchendo todos os buracos como uma água fria. Quem pode possivelmente gostar disso?  
Antes que o fim aconteça – é bom que a gente lembre – vem a aventura da paixão. Há um momento luminoso em que a gente se percebe apaixonado. É quando você não pode ter o suficiente do outro. Quando não se cansa dele. Quando sente falta, sente saudades, algo em você pede aquela presença. Esse outro não é fonte de dor, é causa de alegria. Ela aparece e você vibra. Ela fala com você e o seu coração canta. Vocês conversam interminavelmente, riem, conversam ao telefone, trocam mensagens. Sua mão procura a dela num gesto irrefreável de ternura. Você é tímido, mas adora falar para ela, adora olhar nos olhos dela, adora ver o corpo dela que vem, o corpo dela que balança quando vai. Ela passa as mãos nos cabelos, ela tira os sapatos – meu deus! – e seus olhos se perdem naqueles gestos mínimos. Quanto se pode desejar o corpo do outro? Muito. 
Há sentimentos mais nobres, claro. A paixão é banal, egoísta, possivelmente reacionária e frequentemente se opõe a sentimentos mais generosos, como a amizade. Ao mesmo tempo, ela é essencial, no sentido que de emana de nós com dolorosa naturalidade. Talvez seja parte da nossa essência, como o medo, a ira e o riso. Parece ser uma aspiração permanente que, mesmo a contragosto, nos preenche. Não há como lutar contra algo tão básico. 
Ontem eu fui ver um documentário sobre Philip Roth, um dos meus escritores favoritos. Ele tem mais de 80 anos e a melancolia da morte – dele e dos que vivem ao seu lado – se manifesta na fala dele (como na obra dele) de forma inevitável. Ainda assim, mesmo diante dessa sombra incontornável, ele fala de sexo e erotismo com vivacidade e humor. Está lá também a atriz Mia Farrow, uma das suas inúmeras amigas, ainda bonita aos 68 anos, para elogiar esse homem notável, que foi e segue sendo um grande sedutor. A vida continua enquanto há vida. 
Por isso eu vou continuar me comovendo com filmes românticos como Across the universe. Por isso você vai parar de respirar quando ela tirar os sapatos ou prender os cabelos. Por isso ela vai sentir uma vontade irrefreável de dizer que ama no meio do dia. Assim somos nós, criaturas feitas de desejo e de vontade de amar, gente incompleta destinada a buscar nos outros, permanentemente, aquilo que nos falta. 


Go back!

Oi meus queridos, fiquei um bom tempo longe, abandonei completamente o blog, mas vamos lá, vou voltar com uma nova seção(?) de textos, agora vai ser no marcardos de 'Coisas que eu leio por ai' .
Também vou moderar uns textos, e tirar alguns que nao me agradam mais!
Acho que a história toda desse blog, quase ninguem sabe, ou eu já contei e não lembro, mas vou explicar.
Ele começou com o fim de um relacionamento, e muita muita falta do que fazer mesmo, entao eu achei todo o tipo de texto que explicassem como eu me sentia, e blá blá blá, só para me levar mais ainda, para o 'fundo do poço', isso, já faz mais ou menos uns 4 anos, mas o tempo passou, os afazarem apareceram, um pouco de responsabilidade, e o melhor de tudo é que eu superei o fim do relacionamento, e isso, foi me deixando totalmente desinteressada em publicas coisas aqui.
Porém, mesmo cheia de coisa pra fazer,eu redescobri uns textos que não são melancolicos, pelo contrario, são leves, o que define um pouco minha nova fase!
Então, se preparem para, as novas mudanças! Hahahaha
E vamos dar uma chacoalhada nisso aqui, porque eu tava decretando realmente o fim do blog! 

O que eu leio: Voces vão encontrar por aqui, textos de colunistas que eu gosto, um deles é o Ivan Martins, que escreve para a revista Época, outros são textos que eu dou sorte de achar, e vou compartilhar com voces, tem texto da A prancheta, de comunidades, de tudo um pouco pra gente se deliciar !