terça-feira, 31 de agosto de 2010

frase do dia

A verdade é que você entra nesse mundo sozinho e sai dele do mesmo jeito.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

frase do dia

Que setembro seja melhor e supere todas as angústias, medos, inseguranças e azar de um agosto fodido.

domingo, 29 de agosto de 2010

frase do dia

É preciso que você venha nesse exato momento. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, beijos..

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algumas imagens, dizem por si só !

o amor

A primeira lição está dada:
O amor é onipresente!
Agora, a segunda:
… mas é imprevisível!”
Jamais espere ouvir “Eu te amo” num jantar à luz de velas no dia dos namorados.
Ou receber flores logo após a primeira transa.
O amor, odeia clichês.
Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde… depois de uma discussão, por você ter gostado do filme e ele não…e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovada no teste de baliza…
Idealizar é sofrer!
Amar é surpreender!
Amem sempre, pois (não é mera pieguice) tudo passa, no fim, só o amor, permanece!

amado

No começo nossa relação era uma mansão iluminada e arejada com milhares de andares, janelas e portas abertas. Aos poucos, virou um casebre pequenininho, cheio de ratos e a única porta que sobrou, servia de entrada e saída. Cada vez que eu recomeçava, era como se eu me enterrasse mais e estivesse ainda mais perto do fim. Cada vez que eu abria a porta, a vontade de cerrá-la bem forte e para sempre atrás de mim aumentava absurdamente. A terapeuta dele, uma tia holística com voz de pata morrendo afogada, um belo dia abriu a porta do seu consultório para mim e, sem nunca ter me visto na vida e nem ouvido a minha versão, já foi logo dizendo "você estragou tudo sendo louca, quem te aguenta?" Começo fechando a porta do consultório da pata afogada, dizendo a ela que sim, ela tinha toda a razão: eu era realmente louca e insuportável. Mas que mulher não seria louca e insuportável ao lado de um homem que, sempre sorrindo para disfarçar que é humano, sempre em bando para disfarçar que sente fraquezas e sempre dormindo para disfarçar que está vivo, não tem a menor idéia do que quer fazer agora, daqui dez horas e daqui dez anos?
Que mulher não ficaria insana e desequilibrada ao lado de um homem que diz com a boca que ama mas não diz com os olhos, que diz com a boca que está ali para o que der e vier, mas não diz com os atos? Que mulher não piraria e não ficaria chata ao lado de um homem cheio de músculos mas sem nenhuma força para ser um homem melhor? Não, eu não queria o homem perfeito que eu idealizei não, eu só queria um homem de verdade. Um homem que namora de verdade, que ama de verdade, que tenta de verdade, que encara a vida de verdade, que sofre de verdade, que tem saudade de verdade, que tem dor de verdade, que é humano de verdade. Não, sua pata véia afogada, eu não precisava de um pai, eu não precisava de cuidados 24 horas por dia, eu não precisava de alguém para me salvar, eu não colocava nele toda a minha felicidade, eu não queria mandar nele, eu não queria que ele deixasse de ver a Lua ou curtir o Sol, eu só queria que ele tivesse me amado metade do que ele disse que amava. Ou metade do que eu amava. Que mulher não seria digna de uma camisa de força ao ver que o homem que ela ama é o maior de todos os homens por dentro, mas insiste em ser um idiota, cercado de coisas, palavras, musicas, lugares e pessoas idiotas, por fora? Que mulher não babaria tomando choques na cabeça, ao saber que o homem mais sensível, puro e lindo do mundo, insiste, por medo que o machuquem, em se fazer de invencível e cagar pro resto do mundo? E por fim, eu pergunto a você minha querida super profissional patolina afogada: que mulher suportaria amar um homem que, incapacitado em fuder com a vida da mulher que fudeu com a dele, resolveu fuder com a minha que não tinha nada a ver com isso? Eu só queria ganhar uns beijos e alguns olhares de amor, só isso. Chega, não quero mais essa culpa, esse inconformismo e essa incapacidade de não pensar nessa merda toda. Não quero mais essa fresta por onde entra tanto frio e tanta dor. Nesse momento, fecho a porta inútil do seu consultório escuro e aproveito para fechar também a porta entreaberta que ele deixou no meu coração. Só ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos altos, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente. Só ele viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente. Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso. Você varreu da sua vida de mesmices seguras, de calmarias estúpidas, de ideais banais, de auto-controles medrosos, de superficialidades controladas, de felicidades fáceis, de gostos iguais, de angústias disfarçadas, de ego machucado, de baladas tristes, de meninas fúteis, de praias iradas, de solidões acalmadas pelo sono, uma mulher com todos os defeitos e loucuras que só uma grande e verdadeira mulher que ama tem. Hoje eu fecho as portas para o ódio descontrolado de quem passa fome ao lado de grandes mansões, fecho as portas da goela estridente da véia coroca que viu sem enxergar mas acabou me fazendo ver ainda melhor quem eu sou e ter orgulho disso, aproveito para fechar de vez, para você, as portas do meu coração que de tanto pedir esmolas, estava virando bandido.

silêncio

Disse pra mim. Nenhum pio. Não vou falar nada. Já que sou tão imprópria, inadequada, boba. Já que nunca basto e se tento me excedo. Já que não sei o que deveria ou exagero em querer saber o que não devo. Nunca entendo exatamente, nunca chego lá, nunca sou verdadeiramente aceita pela exigência propositalmente inalcançável. Meu riso incomoda. Meu choro mais ainda. Minha ajuda é pouca. Meu carinho é pena. Meu dengo é cobrança. Minha saudade é prisão. Minha preocupação chatice. Minha insegurança problema meu. Meu amor é demais. Minha agressividade insuportável. Meus elogios causam solidão. Minhas constatações boas matam o amor. As ruins matam o resto todo. Minhas críticas causam coisas terríveis. Minhas palavras cuidadas incomodam. Minhas palavras jogadas, mais ainda. Minhas opiniões sempre se alongam e cansam. Minhas histórias acabam sempre no egocentrismo ou preconceito. Meu sem fim dá logo vontade de encurtar. Minha construção, desconstrói. Meus convites quase nunca agradam. Meus pedidos sempre desagradam. Meus soquinhos de frases são jovens demais. Meu bombardeio de coisas sempre acaba em guerra. Minha paz que viria depois nunca chega, pois eu nunca chego. Minha voz doce assusta. Minha voz brincalhona é ridícula. Minha voz séria alarde. Nenhum pio. Disse pra mim. Falar do que sinto é, na hora, desintegrar com seu olhar. Então fico me perguntando sobre o que deveria dizer, se só sei o que sinto. Devo sentir por personagens de livros, filmes, jornais e ruas? É assim que se diz sem ser o que não importa de verdade? E se for o contrário? Mas pra dizer do contrário, fica sempre no ar, é melhor não dizer. Se digo algo sobre minha vida, só sei falar de mim. Se digo algo sobre a vida dele, coitada de mim, achando que sei alguma coisa da vida. Se falo sobre a vida dos outros, que papo furado é esse? Se falo sobre coisas me sinto mais uma delas. Se provoco, eu que provoque sozinha porque ele não é trouxa de cair. Sobre livros, nunca são os que interessam. Sobre minha reportagem, nem quis ler. Meu trabalho nunca foi e nunca será da mulher dos sonhos. Meus sonhos evito falar, um medo de ser menina. Quieta. É assim que será. Se digo certo, isso logo acaba. Se digo certeiro, acabou. Se digo errado, nunca acaba. Se eu for mulher, mulher é um saco. Se eu for homem, homem só existe ele. Se eu for criança, fale com sua analista. Nenhum pio. Combinei comigo. Falar da gente pode? Pode, desde que, depois, eu tenha estrutura para ver toda uma massa desistente desabando sobre meu sofá pequeno. Nadinha. Não vou falar nada. Sobre dor não toca. Sobre prazer toca pouco. Nada. Porque toda vez que eu pergunto, quase ofende. E se respondo, ofende mais. E se exclamo, minha vontade de viver soterra. E se são três pontinhos, não posso. Se começo preciso terminar. Mas quando termino, ele já não está mais. Se repito, quase explode. Se digo uma, sou boa de ser guardada em algum lugar que nunca vejo. Se não explico, pareço louca. Se explico, sou louca. Quieta. Isso! Você consegue! Se for o que eu penso, eu penso errado. Se for o que eu não penso, errei por não pensar. Se não for nada disso, eu que pensasse antes. Se estou animada, cuidado com a rasteira. Se estou desanimada, não tem mão pra levantar. Nada. Não vou sussurrar. Nem gemer. Nenhum som. Respiração muda. O silêncio absoluto. Olhando pra ele. Lembrando de quando ele me disse que é no silêncio que se sabe a verdade. E a verdade chega como um teto gigante que desaba numa cabecinha de vento. O que eu mais temia. O que eu não queria descobrir. Ela me diz. E o pior é que eu nem posso falar por ela. É tudo mentira.

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sábado, 28 de agosto de 2010

lugares para chorar em são paulo .

De Giovana Madalosso.

Nem só de diversão vive o homem. Chorar também é preciso e, quando feito de maneira adequada, pode se revelar um ato de grande prazer. Se você quer chorar, saiba que São Paulo – cidade de tantas opções – também oferece lugares propícios para essa prática, onde o chorador se sentirá estimulado a verter seu pranto gota a gota, em quantidade suficiente para regar uma planta ou encher um aquário.

Supermercado 24 horas: recomenda-se uma visita durante a madrugada, quando você pode caminhar por corredores vazios, com a luz fria a iluminar a solidão dos notívagos e os olhares de peixe morto. Não é esse um microcosmo do mundo lá fora? Embalagens imploram por atenção, usando de frases de efeito, cores chamativas e outros subterfúgios estéticos para se destacarem entre seus pares, numa luta inglória pelo reconhecimento antes do prazo de validade. É, meu querido consumidor, a carência não poupa homens nem latas. E quando alguém lhe perguntar “tem algum item faltando?”, você poderá dizer “sim, me faltam todos os itens nesta vida!”. E ao perceber que até uma frase do manual da rede é capaz de lhe trazer alento, você estará pronto para chorar aos borbotões, sempre com a vantagem de ter à mão uma caixa de lenços em oferta.

Trânsito: ah, como é bom chorar na privacidade de um automóvel, com o gás carbônico acariciando as narinas e buzinas, sirenes e xingamentos se sobrepondo lá fora. Até parece que todo esse caos foi carinhosamente projetado para a sua dor. Entregue-se, sem pressa. Até porque você tem todo tempo do mundo para debulhar-se, sem ter de sequer engatar a segunda. Para uma experiência completa, repare como, nesse mar de individualismos, nem o seu pranto é capaz de incitar piedade. Ao invés de lhe dar um lenço, os outros motoristas vão lhe dar é uma bela cortada. Se está triste desse jeito, por que não se mata de uma vez? Seria um carro a menos, hão de murmurar entre os dentes, deixando você bem no meio do cruzamento, sob o olhar atento de um guarda que anota a sua placa.

Estátua do Borba Gato: não é comovente o esforço dedicado para erigir tamanha feiura? Pense quantos dias, meses e anos o escultor despendeu nesse trabalho insano, sem se dar conta de que apontava o cinzel na direção errada. Então você poderá chorar por ele e pela natureza humana, tão pródiga em equívocos de tamanha grandeza. Ou até pelo velho Borba, condenado a viver para sempre num paletó de ladrilhos.

Terraço Itália: lugar indicado para quem gosta de chorar com elegância. Peça um uísque, gire o gelo no copo e observe a vista. Você está no topo do mundo e, por alguns segundos, terá a ilusão de estar a salvo. Mas logo irá perceber que não adianta fugir: a sua tristeza é insistente a ponto de subir quarenta e um andares só para sentar-se ao seu lado. E, se a presença dessa companhia ilustre não for o bastante, peça a conta. O preço do drink irá, sem dúvida, levá-lo às lágrimas.

Cancela de Shopping: se tudo que você precisa para desmoronar é uma palavra de carinho, dirija-se ao shopping mais próximo. Pelo preço de uma permanência de duas horas, você vai ouvir alguém agradecendo a sua visita. Sim, alguém reparou que você veio, sabe quantas horas ficou e, pode ter certeza, gostaria que você tivesse ficado muito mais. Tanto que, se você demorar para sair, o braço esguio da anfitriã se fechará sobre o seu carro, e então você terá que voltar, entrar na fila de novo e revalidar seu ticket, agora se sentindo legitimado a chorar ainda mais.

Giovana Madalosso é cronista do Blônicas

o frango ao gengibre do homem quase perfeito.

De Cléo Araújo.


Eu gosto de fechar os olhos e pensar em você grelhando um filé de frango.
Sabe aquele frango, que você fazia com gengibre? Leve toque de mostarda? Delicioso, picante, nem se via que era frango? Pois é, gosto de fechar os olhos e pensar em você passando ele na chapa, dourando um lado de cada vez, fazendo aquele fumacê sensual na cozinha. É uma visão meiga, me enche de paz e me faz salivar, no melhor e menos metafórico dos sentidos.
Acho que percebi que você seria uma coisa estupidamente inesquecível num dia como esses em que se grelham peitos de frango às três da manhã. Lembra? Uma vez foi assim, refeição feliz na madrugada. Você estava sempre com um sorriso no rosto, mesmo com sono. Estava sempre disposto a preparar uma comidinha para alguém mesmo que a matéria prima estivesse congelada. Naquela época, o alguém era eu.
Você me fez ser dessas que gostam de homens que preparam coisas. Que amassam frutas para fazer caipirinhas, parafusam buchas para colocar o pendurador de toalha, instalam fios de extensão para o DVD e assam pães de canela, tudo com o mesmo appeal.
Hoje fechei os olhos e pensei em você cozinhando com aquela camiseta que eu achava curta e que você amava. Você, de camiseta curta fazendo um franguinho, e eu, disfarçando a vontade de assumir o controle do fogão e sumir com aquele trapo velho que você vestia. Fico feliz de nunca ter feito isso. Imagine, não lembrar disso, que dó?
Teve aquele tempo em que a gente ainda não se conhecia. Tempo besta, o mundo era só um lugar abandonado e sem frangos. Ninguém nunca tinha grelhado nada no meio da madrugada para mim. Ainda não havia essas memórias, eu só me lembrava de coisas pouco importantes, como miojo e sucrilhos.
Mas um dia, então, você resolveu que adorava o cheiro de baunilha da minha casa e os meus guardanapos desenhados. E você achava que aquele carinho que eu fazia na sua testa, perto das têmporas, era a sobremesa perfeita. Isso, somado à visão de você preparando a caipirinha, grelhando um frango e me ajudando com as buchas e parafusos de casa, foram as coisas que me fizeram crer que talvez nada mais significativo viesse, um dia, a perfumar de gengibre as minhas memórias. Você sabe... Nada como memórias que cheiram a gengibre...
Agora, por exemplo, são onze da noite. Você deve estar preparando alguma coisinha para alguém.
Penso na sua risada doce e vem de novo aquela certeza de que talvez você fosse o homem quase perfeito.
Não fosse aquela camiseta curta e horrorosa, talvez você fosse.
No melhor e menos metafórico dos sentidos.

Cléo Araújo é cronista do Blônicas.

sobre o orgasmo e outras distrações.


De Nelson Botter Jr.

Ele acorda. Ela acorda. Mais um dia, mais um mês, mais um ano, mais uma vida. Uma vida a dois, regada de dificuldades, mas que lhes proporciona colheitas espetaculares. Aprenderam os truques de um bom plantio. Nada sabem, é claro, mas sabem. Doeu aprender, mas a dor é necessária. Basta observar, estúpido cupido, como as coisas boas da vida estão sempre ligadas à dor, como procuramos o gozo contínuo, a satisfação da insatisfação latente. E isso dói, como dói. Quem disse foi o velho do charuto, aquele da Rua Berggasse 19, nada tenho com isso e não aceito reclamações.

E fez-se a luz, que faz jorrar o sangue, todos os dias, que traz os orgasmos múltiplos de simplesmente ser, existir, respirar. É preciso estancar a ferida com a ponta da faca incandescente, cauterização just-in-time, que traz o alívio, o gozo. Ele quer gozar nela(e), ela quer gozar nele(a), eles querem gozar no mundo, mas o mundo não quer gozar neles. Entretanto, se deixam levar pelas vielas do prazer, afinal isso é amar, é ousar um salto no escuro, é confiar seu destino a mais do que apenas você, é permitir que a tampa feche a panela, é escolher um cúmplice para as piores e melhores horas, é sentir de verdade a razão de se viver por viver. É jorrar a semente, é plantar vida, novas vidas ou vidas novas.

O objetivo simples e direto, olhinhos virados, pêlos arrepiados, gemidos incontidos... A maior das maravilhas do universo. E somado ao amor, o que dizer? Insuperável. Pois ele talvez seja a maior das perversões, a prisão que liberta, a indefectível filosofia na alcova, o que nos torna rijos e pulsantes. Viva a dor de viver a dois e viva duas vezes mais. É um gozo só...

Nelson Botter Jr é cronista do Blônicas .

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

escolha

Talvez eu não tenha tido alternativa, o meu coração leva tão a sério essa coisa de livre arbítrio que não me deixou dar muito palpite quando escolheu amar você pela vida interia. E eu, que ás vezes acho que ele não poderia ter sido mais irresponsável, quando olho para o lado e vejo você dormindo, tranquilo, com a cara feliz de quem está sonhando não com os anjos mas com um séquito de coelhinhas da Playboy tenho certeza de que ele acertou em cheio. Porque você está longe de ser um prícipe encantado. Mas só você é você, e eu gosto assim.


Flávia Brito

ninguém

Sapato baixo, calça larga e cabelo preso. Esquentou e seus ombros tensos agradecem. Que cara bonita é essa? Já logo no elevador. Ah, devo ter dormido bem. Bom dia, bom dia. Olha, você está muito bonita hoje. Um fala, outro concorda. E pelos corredores, sorrisos dão continuidade aos elogios. O que é? Que segredo ela guarda? Que novidade é essa? Na cozinha perguntam: novo amor? No estacionamento perguntam: voltou com alguém? No restaurante, na hora do almoço: é alguém novo? Cruza com um namorado antigo “nossa, você tá muito... é o quê? Sexo? A noite toda? Conta, vai, eu agüento ouvir”. Contar o quê? No espelho, enquanto escova os dentes, fecha os olhos e sabe pra si o segredo: ninguém. Não gostar de ninguém. Nada. Nem um restinho de nada. Nem de tudo que acabou e nem de nada que possa começar. Nada. Pouco importa qualquer outra vida do mundo. Não é nem pouco, é nada mesmo. Um dia inteiro para achar gostosas coisas bobas como um pacote de pipoca doce, um tênis pink ou a hora do banho quente com músicas recém baixadas e o tapetinho vermelho. Um dia inteiro sem escravidão. O celular, o e-mail, o telefone de casa, o ar, o interfone, a rua. São o que são e não carrascos que nada dizem e nada trazem. Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, yoga, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos . É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue. Linda e feliz como nunca. O segredo do espelho, escovando os dentes, sozinha, aperta os olhos, segura a alma um pouco sem respirar. Segura a pasta pensando que é um pouco de alma consistente na boca.
Não cospe, suporte. Ela pode finalmente suportar seu peso e não dividir isso nem com o ventinho que entra pela janela. Nem com o ralo que a espera boquiaberto. A sensação é a da manhã seguinte que o papai Noel deixava os presentes: não é mentira, é só um jeito de contar a verdade com algum encantamento.


Tati Bernardi.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

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frase do dia

Talvez o tempo traga uma pessoa, uma pessoa especial. Talvez eu resolva isso ao poucos, sem sentir, depois de resolver a mim mesmo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

musica

não quero luxo, nem lixo, meu meu sonho é ser imortal
não quero luxo, nem lixo, quero saúde pra gozar no final !

Rita Lee

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mulher serpente,

Hoje acordei-me estranho
De repente várias coisas começaram a passar tumultuadas em minha mente
Fatos, atos, coisas que nem sei explicar
Mas algo ali naquele momento foi tomando forma
Um sentimento já conhecido por mim, mas que não me visitara há algum tempo
Buenas (diz logo ao chegar), como tem passado?
Não muito bem, até certo ponto eu achei que estava melhor, mas não
Na verdade só tinha reprimido lembranças e pensamentos
Eu sabia! (com uma mão no queixo andando de um lado para o outro.)
Por isso que eu voltei! (exclama com sua imagem turva.)
Sabes que não é bem assim que as coisas funcionam, como posso dizer meu caro “AMIGO”
Aquele sorriso sarcástico me irrita, me da vontade de diferir um murro em sua face, mas não o faço.
Fico inerte olhando para o nada só eu a criatura e os pensamentos.
Como agir em tal situação?
Onde a criatura parece ser mais forte que o criador, onde me encontro de mãos atadas sem lhe puder tirar à razão.
A criatura segue falando por horas me atormentando, me diminuindo, me confundindo tentando me levar ao chão.
Lentamente começo a sentir os efeitos de suas agressões psicológicas
Meu corpo está estático, nenhum movimento, a respiração lenta e pesada, nem os olhos se movem, pareço estar enfeitiçado pela criatura.
Em minha mente ela começa a tomar forma de serpente, inquieta sempre me diminuindo, me agredindo psicologicamente.
Tenho vontade de estrangulá-la neste momento, mas ainda sigo paralisado.
Tento desviar o pensamento, mas ela está em todo lugar!
O que devo fazer?
Ela se aproxima do meu ouvido, desta vez tomando forma de mulher, e começa a sussurrar coisas em meu ouvido.
Sexo sujo promiscuidades, ela não mais me agride.
Agora ela me quer, estou totalmente confuso.
Ela me rodeia, com os olhos de fogo ela me encara e se aproxima lentamente
Ela me quer, ela morde meu lábio inferior com leveza, se aproxima do meu pescoço e vai em direção a minha orelha, uma respiração intensa, então...
Eu abro os olhos.


do blog, da postagem anterior !

batom


O perigo do veneno que existe na alma
Do batom vermelho na boca da louca
Que desatina e acalma
Que embriaga e envenena
Que faz aumentar a emoção mais pequena
Que surge como fogo
Labaredas que dilaceram
Que me fazem pensar na vida
O quanto ela ficou menos sofrida
Depois que te conheci.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

(+) frases

e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

frase do dia

(...) é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

é como imaginar um futuro presente

Apesar da gente nunca ter namorado ou casado ou feito planos, hoje completamos oito anos juntos. Se nosso primeiro encontro não tivesse se dado numa data tão conhecida, jamais saberíamos. Nunca contamos o tempo ou demos nomes aos nossos sentimentos de compromisso. Simplesmente tudo se desenrolou sem drama ou pedido ou conjecturações ou vingança. Foi e foi e foi. Aquilo que dizem sobre o que é pra ser. Simplesmente fomos e continuamos sendo. Quem diria que um dia eu seria tão feliz a ponto de não contar ou reduzir sensações a palavras? Mas é isso, sou feliz com você. Sem esforço e mesmo sendo, muitas vezes, bem infeliz. Sou feliz. Não faz muito tempo nos mudamos pra essa casa maior. A cama gigante que sempre cabe mais gente quando a noite dá medo no vizinho de quarto. O jardim, o quartinho dos brinquedos e livros, a janela do lavabo que tem a melhor vista da casa. As figurinhas coladas perto do rodapé parecendo um cineminha de forminhas, os coquinhos destruídos na garagem, a casinha termômetro que você me deu porque eu disse que lembrava meu avô. Daqui, deitada nesse ângulo quase indecente, vejo você, safado, acender seu cigarro de domingo e me olhar sabendo que, inexplicavelmente, justo eu, te aceito seja lá como for. Você, idem. Não fomos fáceis a nada e nem a ninguém, mas cá estamos. Sem a comemoração deslumbrada e terrivelmente curta do amor e por isso mesmo podendo celebrar o pouco cabível de cada instante. E por isso mesmo, vai ver, amando. Sabemos tanto que é amor que nem parece aquele coisa que dizem: amor. A-m-o-r. Ah, deve ser. Mas não o que um dia quisemos tanto e por isso mesmo afastamos, mas o que podemos e por isso mesmo nos soa tão possível. Sei que parece óbvio, mas só agora. E eu continuo nessa pose quase indecente, retardando a vontade do xixi e do banho, olhando você e querendo apenas um presente pra comemorar nossos oito anos juntos. Olhando seu ombro que eu curto tanto desde o primeiro segundo. Seu pé direito retesado e tão diferente do esquerdo sempre relaxadão. A sua mania de entregar um pouco mais de "cofrinho" do que permitido, quando concentrado e um pouco curvado. Vai começar a chover e eu posso chorar. Hoje completamos oito anos juntos e eu só queria um presente. Voltar no tempo, me encontrar e chacoalhar meu corpo. Aquela época em que eu já estava quase cínica mas ainda acreditava em um relacionamento com todas as forças do mundo. Porque quanto mais cinismo e cansaço, mais força fazemos e mais forte parece. Eu queria me chacoalhar e dizer que ele existe, sim, o tal do amor, mas você, querida, não sabe ainda nada disso. Isso que você acha que é amor, menina, não passa nem perto. Eu me faria uma visita naquele apartamentinho pequeno e cheio de tentativas de charme e maturidade. E diria pra mim o que ninguém, sabe-se lá porquê, foi capaz de me dizer numa época tão necessária e quase triste. Época de tentar de tudo pra chegar perto do que, um dia, simplesmente acontece mesmo a gente achando que só funciona para os disciplinados na cultura da imbecilidade. Esse povo estranho que divide armário e sorriso de foto. Eu diria: menina, amar a dúvida, o silêncio, a ingratidão, o fim, o atraso, a invenção, a lacuna, o pode ser, as hipóteses, a não resposta, a raiva, o absurdo, o não, a impossibilidade, o depois que foi, o antes de chegar, o difícil, o pode não, amar essas coisas, menina, é amar o mistério e não um homem. Amar um homem não é o telefone que não toca, é o telefone que toca e ele tá daquele jeito que te irrita justamente porque está irritado com você e você desliga logo e ele liga de novo e vocês morrem de rir. Ah, e aí vai dando certo. Foi e foi e foi e cá estamos. Você apaga o cigarro de domingo, a luz e some. Eu escrevo esse texto na mente, tomo banho e me chacoalho. Daqui a pouco a gente, sem se dar conta de plurais e segredos, se encontra no corredor e decide o que faz do resto do dia.


Tati Bernardi

deusa x menina da festa querendo dar

Coloquei meu carro no estacionamento do shopping que fica em frente a agência. Eu costumava ter claustrofobia nesse estacionamento, mas nem lembrei disso. Eu costumava ter problemas que provavelmente nunca mais serão problemas.
Como não tenho seu celular e nem sei seu sobrenome e nem tenho seu e-mail e nem conheço ninguém que te conheça, não teve outro jeito mesmo. Tive que vir pessoalmente. E esperar você voltar do almoço. Da sua cara eu acho que eu lembro. Lembro sim, você parecia um cara por quem fui apaixonada no colegial, só que com mais sobrancelha. E você olha pra baixo andando, tipo motoboy ou entregador de qualquer coisa.
Agora eu tô aqui, parada, esperando você chegar. Meu coração tá a mil por hora como nunca esteve por ninguém. E eu nem gosto de você, nada. Não sinto nada por você. Nem sei se esse nome é nome ou apelido. Nem prazer eu tive, apesar de ter fingido pra você parar logo com aquilo que tava fazendo no osso da minha bacia. Achei você chato de doer, como todo homem que apressa mulheres e abaixa cabeças. O típico simplório que separa as mulheres nos grupos tratar como deusa x tratar como uma menina de festa querendo dar. Meninas de festa querendo dar, meu querido, é que são deusas. As deusas vão querer casar com você e não passam de meninas de festa querendo dar.
Achei você sem assunto, com aquele jeito deprimido de quem só fala sobre o que gosta de fazer. Achei você chato de doer. Você tem o pior que uma pessoa de vinte e poucos anos pode ter: deslumbramento com gente mais velha. Você acha o máximo seu chefe, acha o máximo o dono da festa, me achou o máximo. Um dia você vai descobrir que o máximo é dormir dez horas sem sobressaltos. Aí você virou um homem.
Olho pro espelho da recepção, enquanto você não chega, e me vejo ensaiando. Eu tava fantasiada de gueixa e você achou legal minha piada de areia movediça, achou legal eu ter um ponto de taxi bem na porta de casa, achou legal eu ter um pacote de camisinhas na cabeceira da cama e achou legal o sutiã de bolinhas. Acho que isso foi tudo. Não lembro de mais nada. Quer dizer, eu lembro sim, eu lembro quando você, por causa da bebida e de outras coisas que eu não vi mas tenho certeza que você tragou, reclamou que a camisinha tava escapando. E de eu pensar na hora “era só o que me faltava!”. Só isso. Antes de você ir embora, você pediu meu telefone e eu apenas dei risada e falei que se você quisesse, tinha suco Del Vale na geladeira. Eu tava louca pra me livrar desses sucos depois que o cara que eu amava me falou que alguém da Daslu encontrou algo bizarro neles tipo o rabo de um rato mutante. E daí lembrei do cara que eu amava e quis que você fosse embora mesmo sem tomar suco nenhum. Porque eu, fulano, sou deusa. Apesar de você ter merecido só a menina da festa querendo dar. E apesar de saber que ser deusa pro cara que eu amava tinha me feito sentir mais lixo do que ser uma vadia pra você. A vida, fulano, é duríssima. Muito mais dura do que essa coisa meia-bomba que você trouxe aqui pra minha casa. Suma!
No dia seguinte eu botei tudo pra lavar. Eu só queria me divertir um pouco. Mas nada pode. Se você quer amar, não pode, a coisa vira toda contra você. É coisa de mulher chata. Se você quer dar, também não pode não. É coisa de vadia. O mundo é um lixo com as mulheres. E minha mente tem esse mundo aqui dentro. Esse lixo. Não queira nada, mulher! Apenas diga não e tenha o mundo aos seus pés. E dane-se se sua alma é dessas querendo dizer sim pra ser honesta e com bode do não de quem faz charme e não faz o que quer. Ser de verdade traz uma dor de verdade e só.
Eu arranquei tudo e botei na máquina. A gente faz as coisas pra matar dentro da gente e morre junto. A gente faz pra ferir quem pouco sente nossa existência e vai, aos poucos, deixando de existir pra gente mesmo. A gente faz pra provar que também existe sem amor e acorda se procurando no dia seguinte. Era só pra ser algo divertido e vira um drama. O amor era pra ser amor e virou só um troço que acabou porque eu esqueci que era pra ser divertido e pensar isso do amor me ofende. Viver é duríssimo.
Depois disso duas coisas aconteceram: eu nunca mais lembrei daquela noite e eu nunca mais menstruei. Já faz mais de três meses. E por causa disso, camarada, é que estou aqui, agora, te esperando. E as pessoas olhando pra mim. Ainda bem que estou em pé, mascando chiclete, esperando, dentro de um prédio. Se fosse a rua, eu seria mesmo uma vadia de esquina. Agora dei de pensar esse absurdo sobre mim. Eu? A garota que chora em mensagens de PowerPoint com cachorrinhos e bebês e anjos? Vadia? Queria só um abraço, sabe? Eu só queria um abraço. Não seu nem de ninguém que exista agora. De alguém. A eterna espera por esse abraço, simples, apenas uma droga de abraço que aceite numa só a deusa, a menina de festa querendo dar e outras milhares de coisas que eu, juro, não são tão ruins assim. Então não era você que eu esperava? Não! Eu esperava alguém que pudesse só me abraçar por um tempo maior que esses socorros rápidos que arrumo quando grito mais alto. Eu com medo do fundo do mar e me agarrando nas pessoas pra não afundar, mostrando buracos pra esconder meu medo de cair nele.
Voltei pro estacionamento sem te encontrar e senti as duas melhores coisas que já senti em toda a minha vida: cólica e claustrofobia.

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frase do dia

Seu medo é de ser feliz? Então dividimos esse pavor doentio da alegria, podemos partilhar o pânico de sorrir até que a tristeza não faça mais sentido a dois. -

Veronica H.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

(+) frases

Tenho medo de terminar sozinha. Tenho medo de ser sempre amiga, irmã e confidente, mas nunca o ‘tudo’ de alguém.



não sei de quem é D:

frase do dia

Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio.


- Fiodor Dostoievski

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

(+) frases

Ontem à noite olhei o céu e comecei a dar a cada estrela uma razão pela que te quero tanto. Faltaram-me estrelas...


- Clarice Lispector

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blogs

Porque talvez esse seja o único remédio quando ameaça doer demais :
Invente uma boa abobrinha e ria,
feito louco,
feito idiota.
Ria até que o que parece trágico perca o sentido
e fique tão ridículo que
só sobra mesmo a vontade de dar
uma boa gargalhada.

do blog, das postagens abaixo .

para atravessar agosto

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles,mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro- e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir,dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus,fica a suspeita de sinistros angúrios , premonições.
Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade.
Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu- sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês.
Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros,juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem
molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques-tudo isso ajuda a atravessar agosto.
Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire , a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas- coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter de mais no tema. Mudar de assunto,digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.

- Caio Fernando Abreu


do blog, Confraria, na postagem abaixo .

blogs

Tem dor que vira companhia. Olhando de perto, faz tempo que deixou de doer, só tem fama, mas a gente não solta. Quem sabe, pelo receio de não saber o que fazer com o espaço, às vezes grande, que ficará desocupado se ela sair de cena. Vazio é também terreno fértil para novos florescimentos, mas costuma causar um medo inacreditável.


Quando, finalmente, criou coragem e deixou de dar casa, comida e roupa lavada para a tal dor, ela desapareceu



outros blogs, confraria

(+) frases

Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto.

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and i think i'll be happier with her
you won't

frase do dia

Nothing special, baby, não estou louca nem bêbada, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

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A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro - Caio Fernando Abreu

(+) frases

Não importa quanto vai durar - é infinito agora.

frase do dia

Só eu sei que cheguei à humildade máxima que um ser humano pode atingir: confessar a outro ser humano que precisa dele para existir

pelo caio

— Você não me entende porquê você nos divide em dois: eu e você.
Não existe divisão.
Eu não sou só eu.
Eu sou também você e todos os outros,
e todas as coisas que eu vejo.
Você não me entende porque você nunca me olhou. Olhe firme no meu olho, me encara fundo.
A gente só consegue conhecer alguém ou alguma coisa quando olha para ela bem de frente, cara a cara.
Me diz o que é que você está vendo no fundo das minhas pupilas?

- No fundo das tuas pupilas eu vejo meu próprio rosto.

- E no fundo das suas pupilas eu vejo o meu próprio rosto.
Quando eu olho no seu olho eu sou você e você é eu. Se você tiver medo de mim é porque você tem medo de você.
Me diga agora, outra vez: você tem medo de mim?

pelo caio

Quando fecho os olhos, é você quem eu vejo; aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. Dilacerando felicidades de mentira, desconstruindo tudo o que planejei, abrindo todas as janelas para um mundo deserto. É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, ilumina o corredor por onde passo todos os dias.



Caio Fernando Abreu

terça-feira, 17 de agosto de 2010

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E, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como: estou contente outra vez

(+) frases


Sempre há alguma coisa que falta, guarde isso sem dor. Embora, em segredo, doa.

pelo caio

Um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá, um dia de merda .

frase do dia

Tá certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é?


SHAUHUSUAHSUAHSHAUS muito bom !

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

mais uma de amor pra quem não ama

Ele me espera no restaurante das árvores. Diz que até o garçom já sabe que eu sou como sou, de tanto que ele não tem outro assunto. Ele me espera, pede mais pãezinhos, ensaia um bom vinho para mim, limpa o suor da cara no guardanapo. E vai esperar por toda a noite.
Mal sabe ele que acabo de responder a uma mensagem de texto dizendo que vou chegar em minutos. Ele me espera com a porta do banheiro aberta, enquanto esfrega seu centro num ato de pureza. Ele quer sacanagem comigo, mas daquele tipo de sacanagem pura com direito a perguntar baixinho "tá doendo"?
Não muito longe dali ele se prepara para sair com os amigos, seus amigos tão deliciosos quanto ele. Passa o mesmo perfume que eu, mas na versão masculina. Seu charme está em ter transformado a sua dor em ironia. Adoro pessoas sofridas. Adoro o ódio medroso e óbvio das pessoas sofridas. Talvez amanhã a gente possa se odiar juntos, num ato de sinceridade livre e animal perante tantos amores pálidos pela cidade corretinha. A cidade corretinha que faz bodas disso e bodas daquilo, mas se entope da porra do Prozac, mas se entope da porra do canal de sexo com aquelas mulheres de sobrancelha desenhada. Mas se entope da porra da opinião dos outros sobre o que é ter chegado lá. Ninguém chega a porra de lugar nenhum.
Mas eu chego, e estaciono meu carro lá dentro, como se fosse dona do pedaço. Ao menos por algumas horas eu serei dona de um pedaço que agora é esfregado no banho em mais um ato de pureza. A sacanagem óbvia é muito mais pura que o ódio envergonhado das bodas disso e das bodas daquilo.
Ele pede a conta e vai embora. Jantou sozinho, o coitado. Se tenho pena? Nenhuma. Nenhuma. Cavoco meu ser até quase me virar do avesso para resgatar um pouco de bonitinho em minha alma, mas descubro que não tenho nenhuma pena dele. Não gosto de quem não amo e ponto final.
Ele encontra os amigos deliciosos e vai ganhar a noite. Se perde muito para tal. Mas ganha alguma coisa sim, sempre se ganha alguma coisa. Talvez uma rinite alérgica ou um buraco no peito. Mas sempre se ganha alguma coisa na noite.
Eu espero comportada do lado de fora enquanto ele termina de se esfregar. Sei da bucha porque sua pele chega quente e vermelha. Tenho vontade de colar minhas veias na dele para que meu sangue ganhe aquele mesmo movimento. Desde que ele me contou numa noite besta que queria salvar o mundo e isso não me soou mais um papinho furado sobre salvar o mundo, fiquei assim. Tenho vontade que meu sangue e o dele passeiem juntos.
Nós vamos mais uma vez nos olhar querendo transar até amanhã, mas vamos apenas assistir à novela e tentar adivinhar as falas. Nós vamos mais uma vez querer atravessar as ruas de mãos dadas, mas vamos brincar de dar ombradas um no outro. Eu prefiro morrer sua amiga do que quebrar algum elo misterioso e te perder para sempre. Te perder como sempre.
Ele escuta uma dessas músicas da modinha ao estilo Madeleine Peyroux antes de dormir e tenta entender qual é o meu problema. Será que eu não fui porque ainda sofro por aquele amor mal resolvido? Será que eu não fui porque tenho medo do amor? Será que eu não fui porque tenho medo de sofrer? Ahhh, os homens apaixonados. Ainda mais burros que as mulheres que acreditam na dor irônica. Eu não fui apenas por uma razão: eu não gosto de quem eu não amo e fim de papo.
Tiro o carro da garagem dele e corro para encontrar o outro e seus amigos deliciosos. Ele tem braço de estivador e tem um buraco entre o começo da perna e o fim do tronco. Coisa de homem sarado. Só não digo que ele parece o Bob da Barbie porque esse era eunuco e vivia rindo. Se bem que ele vive rindo e ri tanto que não parece ter centro. Parece eunuco .
Adoro sua virilha, sou obcecada por ela. Adoro seus amigos fortes. Adoro tudo o que dói nele, como diria aquela fala do filme "Closer" que eu adoro. Adoro que posso encontrá-lo sempre depois das três da manhã, sempre depois dos jantares que eu não vou e das transas que eu não faço. Adoro que posso morrer por ele ou nem lembrar que ele existe. Amor de pica é assim mesmo: o maior e o mais leviano de todos.
Ele acabou de me descobrir pela Internet e dorme tentando me encontrar, tentando me encaixar. Sente uma pontada no peito e uma pontada lá embaixo. Deve ser engraçado ser homem e amar assim de maneiras tão opostas e complementares. Ele não sabe que tudo o que eu mais quero é casar e ser mãe de um casalzinho que dança pelado antes do banho. Mas esse meu querer está esquecido em algum canto de mim, está esquecido depois de tanto eu querer isso e a vida me dizer que eu ainda não podia.
Ganhei a porra da dor irônica. Ainda que seja estupidez acreditar nela. Agora o que eu quero é saber que o outro se esfrega no banho, que o outro se fode no restaurante, que o outro me espera sempre depois das três e tem amigos deliciosos. Que o outro é especial demais, mas talvez ainda não seja o personagem principal daquela festa de final de novela, com todos os personagens de bem.
Está acabando a história, mas ainda dá tempo de não amar mais um pouquinho. Mando uma mensagem para ele, que a essa altura dorme abraçado a uma menina que já encheu o saco, achando que encontrou a mulher da vida. Mando uma mensagem para ele, que a essa altura dorme demais como sempre e já deve ter me esquecido, mesmo lembrando de mim em todos os intervalos de coisa melhor pra pensar. Mando uma mensagem para ele, ainda que ele já tenha desistido do amor e prefira o cheiro de chiclete com chulé da nuca da sua filha.
Durmo com mais de trinta homens, e mais uma vez sozinha. Mas esse texto, juro, é uma comemoração a isso. No fundo, no fundo, eu gosto. Ainda que eu me sacaneie com pureza e me pergunte baixinho: tá doendo?


- Tati Bernardi

domingo, 15 de agosto de 2010

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frases de filme

Um certo tipo de amor, do tipo que não seja como um míssil sem direção, não pode sair por ai perseguindo as pessoas pelo pais, não pode saltar de para-quedas na piscina dos outros, nem bater na porta dos outros só por que esta se sentindo sozinho. A vida não é assim, pra você estar com alguém, não pode olhar só o seu lado, precisa ser mais altruísta que isso.


- O amor pede passagem.

frases de série

O resto das suas vidas é muito tempo e, quer saibam ou não, está sendo traçado agora. Podem escolher culpar o destino, ou má sorte, ou escolhas erradas. Ou podem lutar. As coisas nem sempre serão justas na vida real. É assim que as coisas são. Mas, na maioria das vezes, você recebe o que dá. Deixe-me perguntar uma coisa: O que é pior? Não conseguir tudo o que você sonhou ou conseguir, e descobrir que não é o bastante? O resto das suas vidas está sendo definido agora mesmo... Com os sonhos que perseguem, as escolhas que fazem e com as pessoas que decidem ser. O resto das suas vidas é muito tempo e o resto da sua vida começa agora .

One Tree Hill

trechos

Na verdade você está longe, mas eu entendo, te compreendo, precisamos dilacerar o coração primeiro, entregá-lo a alguém que irá machucá-lo e devolvê-lo com um rosto tão leve que o aceiteremos de volta, e não importa se demoraremos a outra metade da vida tentando juntar pedaço por pedaço para enfiá-lo no peito novamente, o entregaremos de novo mais cedo ou mais tarde, inocentes, o pegaremos nas mãos e deixaremos alguém o levar. Só muito tempo depois é que compreendemos o amor, só depois que o peito tiver sido aberto muitas vezes, de termos escritos muitas cartas, de termos encontrado muita gente, depois que do coração só restar uma ferida, aí estaremos prontos. Pois o amor virá depois que se anular a felicidade que julgamos. Deixamos o amor chegar quando estivermos em milhões de pedaços, para cuidar, para curar, para nos ajudar a construir.

Cah Moradi

curtinhos

Trouxemos a solidão desde que guardamos o primeiro bilhete de amor, desde que o primeiro beijo nunca se repetiu, desde que aprendemos a somar um com um e descobrimos que dois era melhor. Não aprendemos a ser sozinhos, nem tão pouco a sermos completos. Sempre nos faltará alguma coisa, sempre teremos alguma coisa ausente e tão doce que doerá no sorriso. Só a vida nos ensinará que para sermos mais, precisaremos nos dividir. Ser metade sempre será mais completo do ser inteiro.

Cah Moradi

trechos

Saudade eu tenho do que não nos coube. Lamento apenas o desconhecimento daquilo que não deu tempo de repartir, você não saboreou meu suor, eu não lhe provei as lágrimas. É no líquido que somos desvendados. No gosto das coisas o amor se reconhece. O meu pior e o seu melhor, ficaram sem ser apresentados.


Martha Medeiros

sábado, 14 de agosto de 2010

do outro lado da tarde

Sim, deve ter havido uma primeira vez, embora eu não lembre dela, assim como não lembro das outras vezes, também primeiras, logo depois dessa em que nos encontramos completamente despreparados para esse encontro. E digo despreparados porque sei que você não me esperava, da mesma forma como eu não esperava você. Certamente houve, porque tenho a vaga lembrança - e todas as lembranças são vagas, agora -, houve um tempo em que não nos conhecíamos, e esse tempo em que passávamos desconhecidos e insuspeitados um pelo outro, esse tempo sem você eu lembro. Depois, aquela primeira vez e logo após outras e mais outras, tudo nos conduzindo apenas para aquele momento.
Às vezes me espanto e me pergunto como pudemos a tal ponto mergulhar naquilo que estava acontecendo, sem a menor tentativa de resistência. Não porque aquilo fosse terrível, ou porque nos marcasse profundamente ou nos dilacerasse - e talvez tenha sido terrível, sim, é possível, talvez tenha nos marcado profundamente ou nos dilacerado - a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou. E foi essa coisa que me levou há pouco até a janela onde percebi que chovia e, difusamente, através das gotas de chuva, fiquei vendo uma roda-gigante. Absurdamente. Uma roda-gigante. Porque não se vive mais em lugares onde existam rodas-gigantes. Porque também as rodas-gigantes talvez nem existam mais. Mas foram essas duas coisas - a chuva e a roda-gigante -, foram essas duas coisas que de repente fizeram com que algum mecanismo se desarticulasse dentro de mim para que eu não conseguisse ultrapassar aquele momento.
De repente, eu não consegui ir adiante. E precisava: sempre se precisa ir além de qualquer palavra ou de qualquer gesto. Mas de repente não havia depois: eu estava parado à beira da janela enquanto lembranças obscuras começavam a se desenrolar. Era dessas lembranças que eu queria te dizer. Tentei organizá-las, imaginando que construindo uma organização conseguisse, de certa forma, amenizar o que acontecia, e que eu não sabia se terminaria amargamente - tentei organizá-las para evitar o amargo, digamos assim. Então tentei dar uma ordem cronológica aos fatos: primeiro, quando e como nos conhecemos - logo a seguir, a maneira como esse conhecimento se desenrolou até chegar no ponto em que eu queria, e que era o fim, embora até hoje eu me pergunte se foi realmente um fim. Mas não consegui. Não era possível organizar aqueles fatos, assim como não era possível evitar por mais tempo uma onda que crescia, barrando todos os outros gestos e todos os outros pensamentos.
Durante todo o tempo em que pensei, sabia apenas que você vinha todas as tardes, antes. Era tão natural você vir que eu nem sequer esperava ou construía pequenas surpresas para te receber. Não construía nada - sabia o tempo todo disso -, assim como sabia que você vinha completamente em branco para qualquer palavra que fosse dita ou qualquer ato que fosse feito. E muitas vezes, nada era dito ou feito, e nós não nos frustrávamos porque não esperávamos mesmo, realmente, nada. Disso eu sabia o tempo todo.
E era sempre de tarde quando nos encontrávamos. Até aquela vez que fomos ao parque de diversões, e também disso eu lembro difusamente. O pensamento só começa a tornar-se claro quando subimos na roda-gigante: desde a infância que não andávamos de roda-gigante. Tanto tempo, suponho, que chegamos a comprar pipocas ou coisas assim. Éramos só nós depois na roda gigante. Você tinha medo: quando chegávamos lá em cima, você tinha um medo engraçado e subitamente agarrava meu braço como se eu não estivesse tão desamparado quanto você. Conversávamos pouco, ou não conversávamos nada - pelo menos antes disso nenhuma frase minha ou sua ficou: bastavam coisas assim como o seu medo ou o meu medo, o meu braço ou o seu braço. Coisas assim.
Foi então que, bem lá em cima, a roda-gigante parou. Havia uma porção de luzes que de repente se apagaram - e a roda-gigante parou. Ouvimos lá de baixo uma voz dizer que as luzes tinham apagado. Esperamos. Acho que comemos pipocas enquanto esperamos. Mas de repente começou a chover: lembro que seu cabelo ficou todo molhado, e as gotas escorriam pelo seu rosto exatamente como se você chorasse. Você jogou fora as pipocas e ficamos lá em cima: o seu cabelo molhado, a chuva fina, as luzes apagadas.Não sei se chegamos a nos abraçar, mas sei que falamos. Não havia nada para fazer lá em cima, a não ser falar. E nós tínhamos tão pouca experiência disso que falamos e falamos durante muito e muito tempo, e entre inúmeras coisas sem importância você disse que me amava, ou eu disse que te amava - ou talvez os dois tivéssemos dito, da mesma forma como falamos da chuva e de outras coisas pequenas, bobas, insiginificantes. Porque nada modificaria os nossos roteiros. Talvez você tenha me chamado de fatalista, porque eu disse todas as coisas, assim como acredito que você tenha dito todas as coisas - ou pelo menos as que tínhamos no momento.
Depois de não sei quanto tempo, as luzes se acenderam, a roda-gigante concluiu a volta e um homem abriu um portãozinho de ferro para que saíssemos. Lembro tão bem, e é tão fácil lembrar: a mão do homem abrindo o portãozinho de ferro para que nós saíssemos. Depois eu vi o seu cabelo molhado, e ao mesmo tempo você viu o meu cabelo molhado, e ao mesmo tempo ainda dissemos um para o outro que precisávamos ter muito cuidado com cabelos molhados, e pensamos vagamente em secá-los, mas continuava a chover. Estávamos tão molhados que era absurdo pensar em sairmos da chuva. Às vezes, penso se não cheguei a estender uma das mãos para afastar o cabelo molhado da sua testa, mas depois acho que não cheguei a fazer nenhum movimento, embora talvez tenha pensado.Não consigo ver mais que isso: essa é a lembrança. Além dela, nós conversamos durante muito tempo na chuva, até que ela parasse, e quando ela parou, você foi embora.
Além disso, não consigo lembrar mais nada, embora tente desesperadamente acrescentar mais um detalhe, mas sei perfeitamente quando uma lembrança começa a deixar de ser uma lembrança para se tornar uma imaginação. Talvez se eu contasse a alguém acrescentasse ou valorizasse algum detalhe, assim como quem escreve uma história e procura ser interessante - seria bonito dizer, por exemplo, que eu sequei lentamente seus cabelos. Ou que as ruas e as árvores ficaram novas, lavadas depois da chuva. Mas não direi nada a ninguém. E quando penso, não consigo pensar construidamente, acho que ninguém consegue. Mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante. E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha, e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento. Qualquer coisa assim: depois daquela nossa conversa - depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou .


Caio Fernando Abreu

pelo caio

Ela sorriu, tímida.
- Você me ama?
- Não.
Respondeu ele sorrindo.
Todos os que amo vão embora.
- Eu não suportaria te ver partir.

pelo caio

Eu só fui perceber que tinha amor quando fiquei longe dele. Assim mesmo, percebi isso vagamente, e voltei também vagamente por causa disso. Eu perdi, eu tenho consciência absoluta de que eu perdi a oportunidade de amor mais viva e mais profunda que me foi oferecida até hoje. E agora eu não posso fazer mais nada

Caio Fernando Abreu

vida real

Outro dia escutei de uma amiga uma coisa que já me disseram outras pessoas: você é diferente.
Algumas dizem isso com a cara assustada, me olham como se eu fosse perigosa, louca, estranha. Outras me olham como se tirassem sarro de mim, algumas acham engraçado.
Tem também um ou outro mais limitado que não entende absolutamente nada sobre mim e pergunta "Mas e aí? Quando você vai casar, ter filhos, um emprego fixo de oito horas por dia” ... achando que a busca ou angústia por sentimentos, sensações, por algo que mova, por algo inexplicável, por vida, acabam com alguma decisão como assinar um papel.
Minha mãe sempre teve muito medo que eu sofresse com minha personalidade, que eu enchesse de armas os inimigos e achava que eu queria viver sozinha no mundo.
Meu pai sempre disse que sou “teimosa”.
Até meu irmão mais novo acha que tudo seria mais fácil se eu fizesse as coisas dentro do padrão. (como se ele fizesse).
No fundo, essas pessoas, eu sempre soube, morrem de medo de ver alguém tão parecido com elas exposto ao mundo da maneira mais humana possível. Com celulites, manias, medo de não ser amada, fracassos, vitórias cuidadosamente alarmadas sem medo do egocentrismo e desejos estranhos.
Mas também existe o outro tipo de pessoas. O tipo que te ama, te ajuda, te admira, que queria ter sua coragem, que está ali pra você, que te acompanha, que te acolhe sem pedir nada em troca, que divide os mesmos sonhos e as mesmas loucuras, que te impulsiona, que te olha e te vê...
Uma das pessoas mais importantes da minha vida sempre me disse “Não tenha medo de ousar”
E acho que cresci acreditando nisso.
Não que eu seja diferente. Eu quero e preciso das mesmas coisas que as outras pessoas. Trabalho, dinheiro, casa, amigos, amor. A diferença é que eu quero mais que isso. Mais que o trivial, que o comum. Muito mais.
As necessidades básicas são poucas, e é fácil mantê-las. Para o resto é que se precisa mais. Para o resto é que se precisa ir além.
Eu sempre estive muito bem resolvida em relação a esse assunto e não tenho dúvida quanto ao caminho escolhido. Eu, do fundo do meu coração, tenho um orgulho absurdo de ser quem eu sou.
Não vou dizer que é fácil, e que nunca deu vontade de desistir, mas vale muito mais a pena continuar.
Tenho orgulho de conseguir transformar tudo o que dói em mim em aprendizado, fortalecimento, ao invés de sair transando com o primeiro babaca (não que eu já não tenha feito isso), encher a cara, me drogar ou simplesmente fazer de conta que nada está acontecendo, que nada me atinge e eu sou superior a dor.
Dói mesmo, eu me apaixono mesmo, eu sou intensa mesmo, eu me ferro mesmo, às vezes eu ferro as pessoas mesmo. Tudo é bom, tudo é vazio, tudo é bom de novo. Viver é um absurdo e não dá pra passar por isso tão ileso.
Eu prefiro ter histórias pra contar e como não dá pra fazer rascunho mesmo...
Tenho orgulho de ter construído um mundo onde qualquer pessoa, da mais incrível à mais idiota, possa virar personagem.
E de ter construído um mundo onde todos os sentimentos viram enredos com trilhas e a direção de arte certa. Dos sentimentos mais banais àqueles que nos fazem querer se rasgar inteira ou abraçar o mundo. Um mundo onde o por acaso, o cotidiano, o qualquer, o cinza, tudo pode ser motivo para gostar mais ou sentir mais a vida.
E nesse mundo, onde algumas pessoas acham que eu vivo nua para quem quiser me ver de todos os ângulos e me explorar e me sentir e me provar e me sacanear. Nesse mundo, eu vivo bem escondida e protegida.
Ou vocês acham mesmo que eu sou inconseqüente e construiria um castelo tão escancarado sem ter pensando na fortaleza perfeita para mantê-lo intacto?


- Tati Bernardi


, esse texto é muuuuuuito a minha cara, ahaha

frase do dia

Não, não é ciúme. Ciúme é um pouco mais mesquinho e frio do que desconfiar a falta do amor.


Cáh Morandi

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

eu não sei voar

Ela pisou sem dó no meu meio sorriso, fazendo ele virar um pavor inteiro e verdadeiro.
Eu canso dos meus meio sorrisos tanto, tanto, que prefiro que a vida seja assim mesmo. E aí me pergunto se chorei de tristeza profunda ou alegria libertadora, o que acaba dando no mesmo porque minha profundidade me liberta.
A barata preta, enorme e voadora posou no canto da minha boca. E eu pude chorar todos os meus medos no seu sofá e eu pude ficar curvada do jeito que a minha sombra, que só eu vejo, é. E eu pude borrar todos os meus disfarces e ficar feia sem culpa, porque a dor consegue ser sempre maior do que qualquer culpa, por isso o meu vício em sofrer.
Eu chorei a nossa imperfeição, eu chorei a saudade enganada da nossa perfeição, eu chorei a nossa necessidade de não se largar, eu chorei a nossa necessidade de se largar, a nossa necessidade de fugir do mundo em nós e a nossa necessidade de fugir de nós encontrando amigos.
Eu chorei o nosso ego que sempre tem respostas para tudo e não pode perder, chorei o nosso silêncio cansado de perguntas e desprovido de interesses, a pobreza do mundo que nos impossibilita de sermos felizes sem culpa, a falta de simplicidade que eu tenho para ser feliz e eu chorei o espaço da nossa alma que ainda falta evoluir.
Eu chorei o nosso medo de não sermos o que sonhamos. Eu chorei o medo que eu tenho de não ser quem você quer e o medo que eu tenho de ser exatamente o que você quer.
Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar a minha fragilidade escondida no meu mau-humor. Eu chorei de birra do meu lado homem.
Eu chorei porque vez ou outra ele ainda bate na minha porta e eu o deixo entrar, e eu sei que isso é medo do tanto que você habita todos os lugares.
Eu chorei porque eu te amo mas eu não sei amar. Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins.
Eu chorei meu medo de submissão, o meu medo de vomitar, o meu medo de me mostrar pra você tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito.
E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei depois cinco anos escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga.
Aliás, eu quero sim. Eu quero que você me diga quando for a hora de parar, de continuar e de não pensar em nada disso.
Eu quero que você me acorde com uma lista de horas e outras lista de anos e outra lista de encarnações. Eu quero que você me dê a mão e me ensine o que é um relacionamento porque eu só sei andar de quatro, cheirando xixis nas ruas e rabos alheios.
Eu quero que você me ensine a ser uma mulher para você.
Ao mesmo tempo eu quero que vocë suma porque eu só quero ser uma mulher para mim. Eu me quero só para mim.
Era minha a dor de ser solitariamente para mim. E você a substituiu pela dor de não querer mais ser solitariamente só para mim. Mas tudo é dor afinal, e eu não sei ser leve, eu não sei voar, mas a barata que vôou para o canto da minha boca, sabe.
Eu carrego o esgoto no meu ventre negro, mas não sei voar como ela. Por isso ela ainda consegue ser melhor do que eu.
E com todos os meus poderes para estragar a vida de alguém, eu ainda tenho medo da barata.
Porque ela sabe ser misteriosa, ela sabe incomodar sem abrir a boca, ela sabe enojar o mundo com sua meleca branca sem ter que mostrá-la a ninguém.
Ela é muito mais misteriosa do que eu.
Em comum temos as chineladas do mundo e todos os seres amedrontados que querem acabar com a nossa raça. Mas o poder dela ainda é muito maior do que o meu, porque ela não ama, ela não se sente traída pelas chineladas do mundo.
Ela não sabe o que é não entender nada desse mundo e ter medo do tempo. Ela não sabe o que é ter nas mãos o poder de construir e destruir e ter tanto medo desse poder.
Ela vive no esgoto e não sabe o que é ter tanto medo dele.
Ela aparece sem ser desejada e não sabe o medo que não ser desejada causa.
Ela é uma barata e nunca vai saber o medo que a gente sente de se sentir uma.
E eu chorei tanto que finalmente transformei meu meio canto de boca num bico inteiro. E chorei porque tenho tanto medo de tudo o que é inteiro, que prefiro viver tudo na cabeça, enquanto o corpo relaxa na minha cama, longe de tudo.
Eu deito na minha cama e imagino tudo o que pode acontecer, enquanto não toco de verdade na vida para não cansar demais e depois não ter forças para viver de verdade. Mas acabo dormindo e deixo pra depois.
Mas eu chorei justamente porque descobri que viver na cabeça também é um tipo de coragem, porque eu não protejo a alma de feridas e nem de descanso.
Mas aí ela, preta, imunda, nojenta, indesejada, um pedaço do esgoto, vôa em minha direção e me coloca em movimento. E eu corro pra bem longe e não penso, só corro.
E isso é tão diferente para mim, estar em movimento de fora para dentro, que eu choro de emoção.
Eu não pensei, eu vivi. Eu corri dela, eu vivi o medo. Eu vivi o nojo. E eu chorei de dor de sair da minha bolha interna.
Ela me fez ter vontade de gritar para o mundo nojento para que ele deixe meu coração em paz. Meu coração que quer amar em paz e esquecer que a vida pode ser nojenta.
E eu corri de tudo o que é nojento, e eu chorei porque com tantas coisas lindas me acontecendo, eu precisei de uma barata para me lembrar de sentir a vida fora da minha bolha.
Ela perfurou minha proteção e saiu da minha rotina. Ela invadiu tudo e me lembrou que as coisas podem dar erradas sim, quando se menos espera, e não adianta nada estar com o chinelo preparado na mão para se defender da vida.
A vida voa na sua cara, esbarra no seu rosto, suja sua vaidade, corrompe suas certezas, e você não pode fazer nada. A não ser lavar o rosto e começar tudo de novo.



- Tati Bernardi

(+) frases

É perdendo o apoio que a gente descobre que o resto do mundo não para só porque nosso mundo parou. -



Verônica H.

indecisão

Qualquer um poderia reparar naquilo que ele lhe fazia. Aquele sorisso escondido entre um olhar e outro. Aquelas mãos que se tocam no escuro e aqueles olhos que se procuram no claro. Não era amor, mas era quase. Aquela saudade de tê-lo por perto, uma vez na semana era pouco. Pensava em se mudar para casa dele, o mais breve, na verdade apareceria por lá num final de semana. Roupas de frio e escova de dente. Um livro e um caderno em branco, no quarto um violão, e aquele quase amor. Foi muito o tempo que esperaram para poder viver aquele sentimento, que antes nem sabiam tê-lo. Ele dizia amor. Ela dizia gostar muito. Embora o chamasse de amor, quando ele não estava perto. É que havia dias, nestes cinzas, chuvosos de inverno em que sonhava tê-lo por perto, e tinha uma vontade enorme de tê-lo e só. E nesses dias ela o amava. E amava hoje. E cada dia declarava: Te amo hoje. Por saber da incerteza dos sentimentos que carregava. Amor não é certeza, é não saber. Ainda mais que voltavam e iam com a frequência alterada. De quem retorna ao porto depois de uma loonga viagem, cansados. Mas encontravam um no outro aquele refugio, aquele cais, um porto, um lar. Habitavam-se. A solidão dela, a solidão dele, refugiavam-se na solidão alheia. Materializava-se o amor, naquele instante. Mesmo sem expressarem-se aquele risos, aquele silêncio, as mãos suavando, a respiração ofegante parecia mesmo que o Eu te amo queria pular à garganta, chegar a boca do outro, e adentrando aquele corpo fosse morar no coração. Ela dizia sempre que não tinha coração, mas o Eu te amo dele subiria à mente. E infectaria de amor todos os neurônios e volataria à boca dela, pra ele e num ciclo amoroso sem fim. Mas o fim sempre chega e tem um começo. Pra ela o fim começa quando ela entende que hoje acaba, e por isso ela sempre diz que ama hoje, amanhã não sabe. E desse jeito vai cumprindo sua promessa de amar hoje, só por hoje. Como aqueles encontros de alcóolicos anônimos, ou das mulheres que amam demais. Ela fundaria um novo: das mulheres que amam na medida certa. Nem mais nem menos. Mas surgiu-lhe uma dúvida: isso era mesmo amor? Indecisão.

- Luana Gabriela

(+) frases



Não preciso de horóscopo, cartomante ou macumbeira pra saber o que você sente quando está comigo. Eu preciso é de fé pra acreditar que isso se perpetua quando os nossos corpos já não estão juntos.


Amanda Telles

frase do dia

Eu quero por um fim neste tormento de desejar tanto quem ainda tem tanto para desejar por ai.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

medo

Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado.
Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.



Fabricio Carpinerjar

terça-feira, 10 de agosto de 2010

imagens

imagens

(+) frase

A grande parte das pessoas não abraçam o que somos, e sim o que elas esperam que nós sejamos.

@danielopohl

acho que é dele, haha

covarde

Você deve me achar completamente perdida e deve pensar que eu não faço idéia de pra onde eu vou sem você aqui. E tem toda razão, é isso mesmo. Mas tem uma coisa que eu posso te garantir: esses mesmos pés que se encontram sem direção pra ti eles não voltam nunca mais. E nunca mais não é uma semana, nem um mês ou mesmo um ano. Nunca mais é nem nessa vida e nem em nenhuma outra. Nunca mais é ter aprendido direitinho o dever de casa, é se olhar no espelho e se bastar, se merecer, se amar. E olha que eu tenho certa resistência a palavra NUNCA, contudo dessa vez é uma exceção... É NUNCA MESMO. Não que eu tenha deixado de te amar, pelo contrário, eu te amei todos os dias enquanto esperava que você me levasse pra qualquer lugar longe de todo mundo e vou continuar te amando por todos os dias sem esperar nada. A diferença é que eu não desejo mais você pra minha vida, alias pra vida de ninguém... Porque mulher nenhuma merece um homem que chora por ela, mas não move um dedo pra impedir que ela vá embora. Um homem grosso, chato, burro e cheirando a suor serve mais que um COVARDE. E olha que eu ainda cogitei não ir, pensei em ficar, em te ajudar, mas um frouxo não muda nunca, o feio você arruma, o fedorento você deixa cheirosinho, o grosseiro você educa e até o burro tem jeito com um pouquinho de força de vontade, porém o covarde é caso perdido, porque coragem não é coisa que se passe de uma pessoa pra outra, ou você decide ter ou mais ninguém no mundo pode dar a você.
Eu não faço mesmo idéia de pra onde eu vou, mas eu vou, porque eu não tenho medo de ir, perdi o medo de perder você, perdi o medo de me jogar no mundo e não ser sua nunca mais, perdi o medo de não ter um homem, pra quê um homem se eu sou mais homem que ele?! Vai ficar sozinho no escuro e não adianta chamar, gritar, chorar e nem implorar que eu não vou vim correndo com uma velinha acesa. Chama outra, sempre aparece uma besta carente pra você jogar seu mundo de medos nas costas. Espero que a próxima agüente um pouquinho mais e se ame um pouquinho menos, porque se ela gostar dela do mesmo jeito que eu gosto de mim é bem provável que ela também dê o fora.

- Amanda Teles

frase do dia

só podemos ajudar até certo ponto, e machucar também !

greys anatomy

Esquecer e perdoar. É isso que dizem por aí. É um bom conselho, mas não muito prático.
Quando alguém nos machuca, queremos machucá-los de volta. Quando alguém erra conosco, queremos estar certos. Sem perdão, antigos placares nunca empatam, velhas feridas nunca fecham.
E o máximo que podemos esperar é que um dia tenhamos a sorte de esquecer.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

(+) frases

"Que é que ele tem que quando chega ofusca todo o resto?"

trechos

Porque você não faz parte da minha vida e eu não me importo mais com isso, já tinha me curado do vicio de falar sobre você e de pensar em você. Más depois que sonhei com você, sonho esse que estou quase me convencendo que foi o meu subconsciente, me dizendo que eu não me curei porra nenhuma e que eu amo você de uma maneira incrível e contraditória .

- tati bernari

boooooom, eu queria ele completo mais nao encontrei D:

frase do dia


Eu amo as pessoas que me fazem rir. Sinceramente, acho que é a coisa que eu mais gosto, rir. Cura uma infinidade de males. É provavelmente a coisa mais importante em uma pessoa.

Audrey Hepburn

domingo, 8 de agosto de 2010

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introverso

Os vários tipos de pessoas são notadas muitas vezes por suas ‘auras’, ou seja, algum tipo de sentimento bonito transpassado por sua pessoa. E uma pessoa introvertida?
O que lhe resta? Lhe resta o sentimento de vergonha e estranheza?

Eu queria falar com ela.
Eu queria lhe dizer o quão seu sorriso é lindo.
Eu queria olhar em seus olhos e sorrir.
Eu queria
.”

Lhe resta alguns olhares não devolvidos. Se devolvidos, assustados por estarem sendo observados. O ser observador visto. Sua concha ali. Sob olhares.
Lhe resta comentários sobre sua aparência, sobre seu jeito. Comentários que talvez nunca cheguem ao seu conhecimento.
E o grande problema em que muitas vezes acontece, é que junto com a falta de conhecimento sobre o pensamento alheio. É quando você realmente se importa com o que as pessoas pensam.
Se é o tipo de pessoa que não se importa. Fácil. Mas quando você se importa, você quer saber. E quer dar respostas, e não lhe é permitido por sua mente. Que impede seus movimentos. Que impede seu pensar:
“Estou cansado. Eu quero dizer alguma coisa.
Droga. Eu queria.”



Daniel Opohl

frase do dia

Como a maioria dos sofrimentos, esse começou com uma aparente felicidade .



putz, não sei de quem é, mais assim que eu encontrar posto aqui .

greys anatomy

osso quebram, orgãos se rompem, a pele rasga, podemos costurar a pele, reparar os danos, diminuir a dor, mas quando a vida sucumbe, quando nós sucumbimos, não a ciência nem regras fortes e rápidas, temos apenas que superar.

texto sem nome

Não se importava se era magnífico ou pobre. Se era caro ou barato. Se eram muitos ou poucos. Só se importava que fosse real. Que lhe tocassem os ombros em meio a verdades que foram poucas vezes direcionadas a ele. Queria que lhe tocassem o coração. Cheio de cicatrizes, cheio de incertezas. Frio como uma geladeira no Pólo Norte. Mas as verdades, as palavras bonitas. Começaram a se tornar vagas. Por melhor que fizessem, não conseguia absorver aquilo para esquentá-lo nesses dias frios. Dias frios que tomavam conta, cada vez mais.
E agora lhe pergunto? Sabe a solidão? Aí você responde, “Claro que sei, sinto muitas vezes.” Claro, é parte de uma solidão. Mas o grande problema é quando há pessoas dispostas a te tirarem de lá. E tudo o que consegue fazer é ficar quieto. É ser aquela peça de cubo de gelo que é colocada em um copo com um objetivo, mas está apenas pra isso. E é isso que dói. Não ser mais que o seu objetivo.
Quando há tudo a tua volta. E tudo o que consegue fazer é manter seus ouvidos e sua boca fechados. Com os olhos bem abertos. Observador.
De fato, o que mais lhes pode ser dito é que observar a própria vida, cuidar apenas de si mesmo, saber que você está bem. Dói. Dor que não sabia que poderia sentir.

Andar em meio às pessoas. Tomando um café. Sorrindo. Meu coração permanece. Dolorido. Pois sei que estou só.


Daniel Opohl


Um de seus canais

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

greys anatomy

Não se pergunte por que as pessoas enlouquecem. Se pergunte por que não enlouquecem. Diante do que podemos perder num dia, num instante. Se pergunte que diabos é isso que nos faz manter a razão .


Greys Anatomy

textos

Como se ainda não o quisesse mais, ela lhe deu adeus, e acredite, foi o adeus mais triste que ja teve que dar um dia. Na verdade ela o queria tanto, mas não sabia como tê-lo somente pela metade, pois era assim que ele sabia se doar.
Com o tempo ela percebeu que eles já não faziam mais parte dos planos um do outro, então o deixou partir e de uma vez por todas se afastou.


*Mas ela confessa que talvez possa sonhar com ele, e quem sabe um dia ele ainda pense nela.

uma amiga, me mandou por msn, achei MUITO lindo ! *-*

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

frase do dia

toda vez que alguém conta uma piada e eu rio, eu olho em volta pra ver se voce achou graça também mesmo que voce nao esteja por perto .


George O'malley - Greys Anatomy

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

nas comunidades

Hoje eu estou decidindo não sofrer mais por você. Você, que sempre odiou os caras que surgiam na minha vida porque não eram bons o suficiente pra mim (e eu sempre acabava descobrindo que você estava com a razão); Você, que me protege e me aconselha como um melhor amigo deve fazer sem esperar nada em troca. E que jamais me negou companhia, mesmo morando longe demais pra me ver. Seria injusto sofrer por você, porque isso só me afastaria. E nós não podemos mais viver sem nossa cumplicidade. Então hoje eu vou ser mais presente e menos ciumenta. Vou dizer a verdade quando você perguntar o que eu acho do que você pretende fazer pra surpreender sua namorada. E ainda que você tenha a fórmula perfeita do que eu procuro, vou me conformar de não ter sido a primeira a encontrar.
A partir de agora, vou procurar outro você .

(+++) frases


O que eu não aceito é ter nascido num mundo tão grande e conhecer só uma pequena parte. Vou voar. Quem conseguir compreender, que me acompanhe


Verônica H

(++) frases

Temos um problema geográfico. Você quer abraçar o mundo e eu ficaria contente em abraçar você .


- tati bernardi

primeiro dia sem você

Acordo feliz, nada como acordar triste para não carregar a espera da decepção. Tomo um banho demorado escutando Cake no último volume. Claro que não é para te provocar, você não está lá para ouvir a banda que você tanto odeia apenas porque você tem ciúmes de tudo o que eu gosto, mas é para impor ao mundo que eu voltei, estou única e exclusiva novamente. Eu e o meu mundo. Eu e minha solidão sem preconceitos e sem lições de moral, minha melhor amiga, a solidão, nunca vai me achar estranha justamente porque é filha predileta da minha estranheza. Tomo café com ela que, assim como eu, não come muito. A solidão precisa manter a forma para me acompanhar eternamente, e eu preciso não vomitar pelo inchaço que ela me causa. Coloco uma roupa estranha, minha pulseira de dentes que você odeia, minha bota que não me deixa nada feminina e pinto os olhos, adoro não precisar parecer uma moça com dono. No carro escuto Nação Zumbi no último volume, você não conhece, nunca se interessou, como pode? Um movimento tão charmoso ou, no mínimo, uma música boa pra dançar. Lembro que você escuta o mesmo cd do Bob Marley há vinte anos e só troca quando algum amigo seu te dá alguma dica, as minhas dicas são sempre chatas, meu mundo te encheu, como você disse. Dou graças a Deus de estar tão bem acompanhada dentro do meu universo. Eu e Nação Zumbi, eu e Billie Hollyday, eu e Cake, eu e Frank Sinatra, eu e o silêncio do meu carro, sem ninguém pra me dizer que eu freio muito depois do que deveria.
Se eu quiser, hoje, alugo um daqueles filmes europeus p&b e assisto embaixo da minha coberta com um pijama bem feio e meu cabelo em seu pior estado. Quem sabe eu não tiro umas melecas do nariz, beijo minha cachorra na boca e solto pum. Eu e meus filmes prediletos, eu e minha filha peluda, eu e as extensões do meu corpo. Faço aula de yoga ou musculação? Encontro o meu novo amigo interessante para um café ou bato papo com a minha nova amiga sobre essa nossa mania de não saber ser feliz, mas impor ao mundo o tempo todo a cartilha da felicidade? O mundo é enorme sem você, sem o seu amigo que solta fogos de artifício com o cofrinho aparecendo mas me acha uma babaca, sem o seu amigo que nunca nem olhou na minha cara direito mas bate em mulheres, e sem a sua amiga que cheira enquanto o pinto do marido não levanta e a bebê chora. O mundo é enorme sem toda a culpa que eu carrego por não ser a menininha leve e sem preconceitos que curte ver o desenho da Lua no mar e não se abala com tanto amor e nem com o medo e o cansaço que viver causa. Eu sei que sou pesada, triste, dramática, neurótica, louca, insatisfeita, mimada, carente. Mas você se esqueceu da minha maior qualidade: eu sou só. Eu era só aos cinco anos quando eu não entendia porra nenhuma do que estava acontecendo e corria para rezar no banho. A fumaça de cigarro tomando toda a casa enquanto meus pais decidiam absolutamente nada em longas discussões que sempre terminavam com a minha mãe jogada em algum canto tremendo e vomitando, e eu com a certeza de que ela morreria cedo. Hoje em dia ela sinaliza o tempo todo que pode morrer por falta de carinho, e eu não consigo dar a mínima.Eu era só quando descobri que não controlo a vida, primeiro a minha mãe namorando justo no horário do Corujão do sábado, o horário em que eu podia ficar acordada até mais tarde namorando ela num mundo escuro e longe de tudo, depois as uvas lavadas em vinagre me esperando para sempre e meu avô morto no quarto ao lado, as meninas da escola ganhando corpo e charme antes de mim, o meu jeito estranho de ter medo de perder o controle e de multidão. Eu era só pesando doze quilos a menos, quando o mundo inteiro queria que eu comesse pra não morrer, e eu querendo viver tanto que tinha medo de não conseguir, como tudo que sempre quero muito, e acabo fodendo logo pra não ter que viver com a ansiedade do desejo maior do que eu. Eu quase morri de tanto que queria viver. E eu tô quase acabando com o seu amor por mim, de tanto que eu quero que você me ame. Percebe? Louca. Louca e só, porque ninguém vai agüentar isso. Eu sempre estou só quando sou tomada por um susto longo e paralisador que dá vontade de me concentrar apenas em mim, e não ver nada e nem ninguém, por isso quis chorar só e escondida atrás da porta, como um rato que todo mundo tem nojo, que causa doenças, que tem um longo rabo deixando tudo entreaberto para trás, mas que no fundo só quer um pouco de queijo, como qualquer criança bonitinha. Carregar nossa alma, com tudo o que ela tem de bom, de mal e de incompreensível, é uma tarefa solitária. Eu sempre fui só querendo ter uma família grande, café da manhã, Natal, cachorro, e eu continuo só quando te vejo como minha família, mas você me deixa sozinha com duas ou três opções de suco para uma ou duas opções de pão. O mundo é cheio de opções sem você, mas todas elas me cheiram azedas e murchas demais.
Eu continuo só quando quero escrever uma vida com você, mas você detesta meus caminhos anotados e minhas regras. E eu detesto seu sono e sua ausência. Eu detesto seu riso alto e forçado pisoteando o meu mundo de sombras, eu detesto você saindo pela porta e as paredes se fechando, se fechando, e eu sem poder berrar para, pelo amor de Deus, você me resgatar, e me colocar no colo, e me dizer que você me entende e sofre também. Eu sou só porque enquanto eu pensava tudo isso, você impunha aos quatro ventos, querendo parecer muito forte e macho para seu grupinho muito forte e macho, que você poderia simplesmente abaixar meu som ou mudar de canal, como um programa chato qualquer que passa na sua tv. Eu hoje fui ao banheiro duzentas vezes para ficar longe do meu celular e do meu e-mail, ficar longe de todas as possibilidades da sua existência. Me olhei no espelho bem profundamente para enxergar minhas raízes e ganhar força, chorei algumas vezes, fiquei sentada no chão do banheiro, para ver se meu corpo esquentava um pouco ou porque estava mesmo me sentindo um lixo. O ar-condicionado hoje está insuportável, mas eu não acho que mude alguma coisa desligá-lo. Estar sozinha não muda nada, conheço bem esse estado e, de verdade, sei lidar até melhor com ele. O que me entristece, é ter visto em você o fim de uma história contada sempre com a mesma intensidade individual. Eu tinha visto na sua solidão uma excelente amiga para a minha solidão. Achei que elas pudessem sofrer juntas, enquanto a gente se divertia.


- tati bernardi