E a namorada?” Alguém vai me perguntar. Aí vou sorrir e responder: “Estou solteiro!”. E logo depois vem aquela cara de: “nossa, coitadinho”, quando ao meu ver era a hora certa da pessoa me abraçar e pularmos gritando: “Parabéns Campeão!” Sabe, realmente não entendo essas pessoas que colocam o fato de encontrar uma pessoa como sendo um dos objetivos primordiais da vida. Como se a ordem natural fosse: nascer, crescer, conhecer alguém e morrer. A meu ver, não é assim. As pessoas se dizem solteiras como quem diz que está com uma doença grave, alguém que precise de ajuda. Não é nada disso. Existe sim vida na “solteridão”! E das boas. E isso não quer dizer farra, putaria, poligamia ou promiscuidade. Aliás, quer dizer sim, mas só quando você tiver afim. No mais quer dizer liberdade, paz de espírito, intensidade. E olha que escrevo isso com algum conhecimento de causa, já que tenho vários anos de namoro no currículo. De verdade, do fundo do coração, eu estou muito bem solteiro. Acho até que melhor que antes. Gosto de acordar pela manhã sem saber como vai terminar meu dia. Gosto da sensação do inesperado, da falta de rotina e de não ter que dar satisfação. Gosto de poder dizer sim quando meu amigo me liga na quinta-feira perguntando se quero viajar com ele na manhã seguinte. De chegar em casa com o Sol nascendo. De não chegar em casa as vezes. De conhecer gente nova todos os dias. De não ter que fazer nada por obrigação. De viver sem angústia, sem ciúme, sem desconfiança. De viver. Acredito que todo mundo precisa passar por essa fase na vida. Intensamente inclusive. Sabe, entendo que talvez essa não seja sua praia. Ou talvez você nunca vá saber se é. Eu mesmo não sabia que era a minha, e veja só você, hoje sou surfista profissional. O que percebo são pessoas abraçando seus relacionamentos como quem segura uma bóia em um naufrágio. Como se aquela fosse sua última chance de sobrevivência. Eu não quero uma vida assim. Nessa hora talvez você queira me perguntar: “Mas e aí? Vai ficar solteirão para sempre? Vai ser assim até quando?” E eu vou te responder com a maior naturalidade do mundo: “Vai ser assim até quando eu quiser”. Quando encontrar alguém que seja maior que tudo isso, ou talvez alguém que consiga me acompanhar. E não venha me dizer que aquele relacionamento meia boca seu é algo assim. O que eu espero é bem diferente. Quando se gosta da vida que leva, você não muda por qualquer coisa. Então para mim só faz sentido estar com alguém que me faça ainda mais feliz do que já sou, e como sei que isso é bem difícil, tenho certeza que o que chegar será bem especial. E se não vier também está tudo bem sabe? Eu realmente não acho que isso seja um objetivo de vida. Não farei como muitos que se deixam levar pela pressão dessa sociedade. Tanta gente namorando pra dizer que namora, casando pra não se sentir encalhado, abdicando da felicidade por um status social. Aí depois vem a traição, vem o divórcio, a frustração e todo o resto tão comum por aí. Não, não. Me deixa quietinho aqui com minha vida espetacular. Pra ser totalmente sincero com você, a real é que não é sua situação conjugal que te faz feliz ou triste. Conheço casais extremamente felizes e outros que estão há anos fingindo que dão certo. Conheço gente solteira que tem a vida que pedi para Deus e outros desesperados baixando aplicativos de paquera e acreditando que a(o) ex era o grande amor e que perdeu sua grande chance. Quanta bobagem. A verdade é que só você mesmo pode preencher o seu vazio, e colocar essa missão nas mãos de outra pessoa e pedir pra ser infeliz. Conheco sim vários casais incríveis, assim como tantos outros que não enxergam que estão se matando pouco a pouco. Só peço que não deixem que o medo da solidão faça com que a tristeza pareça algo suportável. Viver sozinho no início pode parecer desesperador, mas de tanto nadar contra a maré, um dia você aprende a surfar. E te digo que quando esse dia chegar, você nunca mais vai se contentar em ficar na areia. Desse dia em diante só vai servir ter alguém ao seu lado se este estiver disposto a entrar na água com você.
link - Precisava escrever
e tenho aqui mais umas muitas notas caóticas sobre o tema, mas não importa. fundamental é mesmo o amor !
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
Homenagem aos babacas que passaram por nossas vidas.
Todo mundo já teve (ou vai ter) um babaca na sua vida. Os babacas (podem ser homens ou mulheres) são aquelas pessoas que estão mandando claras mensagens de que não estão nem aí para você e ainda assim você insiste. Você resiste. Você persiste.
O babaca é aquela pessoa que quando você cita o nome dela numa roda de amigos, todos eles fazem cara feia. Porque seus amigos te amam e querem seu bem. E o babaca não. O babaca é aquela pessoa que quando você finalmente consegue se livrar dele, quando, de fato, a existência dele não age mais como uma toxina no seu corpo, você não consegue acreditar que pôde se envolver com alguém assim.
Ainda assim, agradeça ao babaca por ele ter entrado (e saído! É importante que ele saia!) da sua vida.
Certamente o babaca fez você valorizar mais o amor. Fez você ver com clareza o que é ser bem tratada; o que é ser amada; o que é ser desejada por alguém. Não por ele, é lógico. Mas pelos outros que virão depois (ou os que vieram antes e você deixou passar).
O babaca faz você entender que amor correspondido não é uma coisa fácil. Não basta o papo ser legal e o sexo ser incrível. Amor correspondido não é uma flecha que num dia qualquer atinge seu babaca e ele percebe que te ama. Talvez ele tenha te amado. Talvez ele tenha tentado. Mas não é tão simples assim. Por isso quando você conhece aquela pessoa que te ama de verdade, você valoriza muito mais esse amor. Sem contar que o primeiro babaca da sua vida, aciona um radar para outros babacas. Agora você vai conseguir identifica-los com mais precisão e, assim espero, livrar-se deles na primeira oportunidade.
O babaca te prepara para os trancos e barrancos da vida amorosa. Ele dá uma ligeira endurecida naquele seu coração que antes parecia uma bola gigante de manteiga. Só não deixe que ele endureça demais. Vamos combinar que uma consistência de pudim é o ideal, tá?
Tudo o que você sofreu com o babaca, serviu para mostrar que você aguenta e ninguém morre de amor. E quando aquela pessoa legal aparecer na sua vida você vai estar mais madura, mais atenta e mais preparada para receber e retribuir todo esse amor. Por isso tudo que ele te ensinou, hoje agradeça ao seu babaca (mas agradeça mentalmente, não precisa mandar inbox e recomeçar o caso tóxico de vocês, por favor!).
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Frase do dia
Quem gosta de si mesmo fica melhor sozinho, quem gosta de si mesmo procura gente que lhe faz bem, quem gosta de si mesmo busca uma pessoa especial, porque sente que merece.
Ivan Martins - Dedo Podre, Revista Época
terça-feira, 15 de outubro de 2013
O que torna uma pessoa especial, dentre milhões de outras
A bossa nova tocando no rádio naquela manhã me lembrou do calor no peito que eu sentia toda vez que encontrava certo namoradinho de adolescência que eu tinha. Não era nem a presença dele em si, e nem as suas feições que não eram as mais atraentes. Era a paz que me invadia por dentro cada vez que ele me olhava nos olhos e perguntava se eu tinha dormido bem à noite. Ele era o rei dos pequenos requintes de delicadeza, como o bombom em cima do caderno de matemática, a mensagem desejando boa prova e, claro, o olhar, aquele cativo e carinhoso de todo dia que fazia meu coração ceder. Não eram os gestos em si, era a forma como aquilo tudo enchia meu copo até a borda de tudo que eu precisava naquele momento, a paz ou a tormenta. Nosso namoro não durou muito, mas deste dia em diante, passei a abraçar na minha vida pessoas assim, capazes de construir sorrisos sinceros na alma da gente. Pessoas bem especiais, basicamente encantadoras.Pessoas que nos fazem sentir especiais.
Descobri que o tal “borogodó”, indispensável em qualquer relacionamento que se preze, está fundamentado no encanto. Não é no rostinho de boneca, no presente de natal caríssimo, muito menos no abdômen sarado. Encanto mesmo vem de dentro. Gente que faz nosso coração gargalhar, que abraça quentinho colando o rosto, prepara o chá no fim de semana de gripe, que ri de si mesmo, cumprimenta o porteiro, que respeita o momento, o tempo, o vento. Gente que muitas vezes não sabe por qual bifurcação do caminho você veio, que tipo de bagagem você vem trazendo, mas tem certeza de que dedicação e respeito fazem parte do alicerce de qualquer relação, seja ela amorosa ou não. Gente que te basta.
Não sei dizer se o mundo anda carente de pessoas desse tipo ou se falta leveza para se permitir encantar. Existem hoje aproximadamente 7 bilhões de pessoas no mundo, e ainda assim minha vizinha não encontra uma companhia bacana para partilhar seu passeio no parque aos domingos.Ainda não encontrei alguém especial, ela diz suspirando. Sua ânsia encontra uma variedade de suspiros similares ao longo do planeta neste momento, e olhando pra ela, penso como ainda pode existir tanta gente solitária. O mantra do livro de cabeceira diz que quando a gente não sabe o que procura, não sabe reconhecer quando encontra. Será que não sabe mesmo ou estamos vivendo nossos dias com os olhares errados?
É o tal do enxergar com os olhos da face e não da alma. Tocar com a ponta dos dedos em vez de se permitir uma entrega completa, dessas que abraçam o todo e mudam a vida da gente. Porque beleza tem-se aos montes, encaixe de beijo na boca é fácil e se aprende; difícil mesmo é tirar o ar quando se vê. Complicado mesmo é ser apenas você para o outro, sem máscaras, maquiagens, rodeios, salto alto, camisa de marca, vodka na mesa da balada, foto no Facebook ou carro importado e, ainda assim, a sua essência bastar para o bem-estar do parceiro. Estas são as pessoas especiais: aquelas que sabem conceder seu encanto e aquelas que sabem reconhecer essa dádiva. Porque as pessoas especiais sabem pra quem aparecem. Tem que existir a sorte de reciprocidade e merecimento. Tem que saber enxergar além daquilo que a genética e o statussocial te permitem ver. Porque amor é assim, acontece ou não, mas se nosso coração está distraído com os atrativos “errados”, o acaso passa e a gente nem percebe. Este é o segredo daquele casal da faculdade que, aos olhos dos outros, pode parecer tão pouco convencional. Mais que a resposta para os desejos um do outro, eles são calma, aconchego e paz depois de uma semana de trabalho. São parceiros, amantes e amados; são especiais entre si, para si e só.
Sobre o meu namoradinho da adolescência, bom, o amor se foi, ele também, mas aquele sentimento de plenitude que o olhar zeloso dele provocava… Esse não só permaneceu como também se repetiu algumas outras vezes pelo caminho. Porque uma das delícias da vida é ter a oportunidade de esbarrar em várias pessoas especiais ao longo da travessia. Se o campo for florido, os sorrisos sinceros, os abraços apertados e os sentimentos genuínos, cedo ou tarde, um beija-flor pousa por ali e, dentre tantos que se foram, decide ficar. Se for o tempo da migração, nada se perde pra sempre. Pelo contrário, quando a mágica é real, conserva-se naquela porção gostosa do amor que sobrevive após o grosso do sentimento findar. Encanto é isso, a livre aproximação de alguém que tem toda a liberdade de quando bem entender, partir. Melhor ainda, encanto é a morada sem grades do amor, que permite o voo para jardins mais floridos – porém, é muito mais convidativa a doce e livre permanência.
Danielle Daian
Retirado de: Casal Sem Vergonha
Sobre o peso dos amores que ficam
A gente nunca sabe como será o grande encontro. Pode ser que chova fininho e os cabelos levemente molhados desencadeiem uma troca de sorrisos embaixo de um mesmo guarda-chuva naquela esquina movimentada da cidade. Pode ser que o sol ardente queime as bochechas bem devagar, que é pra esconder o rubor do olho no olho. Talvez seja carnaval, dia santo ou um fim de semana aparentemente perdido num ano qualquer. Às vezes já se sabe no primeiro sorriso. Outras vezes a empatia demora um pouquinho pra se manifestar e só sai da toca depois dos primeiros indícios de reciprocidade. Pode ser que o metrô atrase, o carro quebre ou simplesmente você esteja 10 minutos adiantado para tudo que decidiu fazer naquele dia. Quem sabe seja pra sempre, ou talvez, só talvez, dure o infinito de um breve segundo. Era ele. Era ela. Eram ambos. A verdade é que a gente nunca sabe o instante em que vai cruzar o caminho daquele (a) que vai marcar a nossa vida pra sempre. A pessoa que vai prevalecer na alma, mais do que na presença concreta. A referência emocional mais sólida ao longo de toda a nossa travessia. Sim, este é mais um texto sobre o maior clichê da humanidade: o amor. E se você não gosta de estar no lugar-comum, aconselho a deixar esta leitura de lado por aqui.
É que na vida a gente se apaixona milhares de vezes, revira os olhos outras tantas, perde o fôlego, o ar, o par em diversas ocasiões. Mas amor, amor mesmo, aquele de fazer doer o fundo do peito, esse não passa todo dia na janela de casa. Acho até que ele faz uma dança pelo salão, te tira para dançar e, se a melodia acaba junto com o compasso, ele sai pela portinha que entrou, deixando um vazio que só o tempo é capaz de preencher. Não estou falando de paixonites ou pequenos embaraços, mas sim daquela pessoa que vai modificar todo o seu conceito de amor e relacionamentos. O protagonista das lágrimas abafadas no travesseiro durante a noite que fazem a gente esmorecer feito o bicho mais acuado. A peça principal de um quebra-cabeça que muitas vezes perdeu diversos encaixes ao longo do caminho, restando apenas uma moldura abstrata de um quadro que tinha de tudo para ser perfeito. Gente que simplesmente fica. Fica na alma, na calma, na paz e no desassossego. Gente que se faz presente mesmo na mais absoluta ausência.
Ninguém passa pelas nossas vidas à toa. Algum objetivo maior o universo tem com essa bifurcação de caminhos. Não acredito em acaso. Acredito em troca, parceria, cumplicidade, merecimento. Sentimentos que criam vínculos, fundamentam histórias. Muitas vezes a lição é contínua e perdura por anos, em outras, a caminhada a dois chega ao fim muito antes do previsto, e o adeus deixa de ser despedida para se tornar recomeço. Recomeço de um amor que finda seu ciclo conjunto para se tornar morada de uma saudade. Essa pra mim é a real definição de amor dentre tantas que já foram feitas ao longo dos séculos. Amor é o que fica daquilo que não ficou. O que é verdadeiro dificilmente se vai – pelo contrário, vai relembrar sua permanência de forma nada discreta naquela manhã de segunda-feira, após uma visita até a padaria, onde aqueles olhares cheios de cumplicidade se cruzarão novamente. No melhor estilo filme mudo, em que se conhecem as falas independente da cena, tudo aquilo que estava adormecido despertará. O coração aperta, o silêncio ensurdece, mas cedo ou tarde as emoções retornam para suas respectivas “caixinhas”. Acreditem ou não, é a forma que o amor encontra de encerrar ciclos e se acomodar no coração de forma a não ser mais espinho, mas sim uma delicada flor.
A verdade inconveniente é que todo mundo tem um alguém particularmente especial que vai levar para sempre dentro do coração. Seja pela história, parceria, entrega ou até mesmo pela vírgula deixada no final de um parágrafo que merecia um ponto final. Amor mesmo, no grosso do sentimento, permanece enraizado nem que seja escondido debaixo de um monte de sentimento mal resolvido. Felizmente, a maior dádiva da vida é que ela continua. Você se depara com outros grandes encontros, pessoas, novas histórias e com outras facetas do amor que talvez você nunca chegasse a conhecer se não fosse toda a experiência transformadora que viver este sentimento proporciona.
Não existe nada sobre o amor que já não tenha sido dito, escrito, cantado, cifrado ou assinado em lágrimas. Acho até que se existisse um manual sobre isso, sobre tudo que aconteceria no decorrer e após a passagem do furacão, talvez fossem poucos os tripulantes desta embarcação sem rumo. Poucos os que conseguiriam suportar a calmaria após a doce tempestade. O segredo para continuar navegando? Aprender a conviver de forma saudável com esse pedacinho de memória que pulsa no coração da gente. Se permitir vivenciar todas as fases desse sentimento para que a transição “passado-futuro” seja bem confortável. E amar sempre e muito, porque amor correspondido é o laço de fita que enfeita o presente, desata os nós, traz o sonho de um amanhã mais doce e guarda lembranças tão gostosas que terminam sempre na ponta solta de um sorriso sincero.
Danielle Daian
Retirado de: Casal Sem Vergonha
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
As lembranças que tenho dela
Você sabe que não deve fazer cócegas nelas porque a machucam? Sabe a diferença dos seus sorrisos sarcásticos e felizes? Sabe que não deve opinar sobre sua família, nem falar mal dos seus antigos namorados? Só de mim, eu sei. Creio que você não tem ideia do que é dormir com ela. Dormir, não foder. Foder também. Mas dormir. Dormir e acordar ao lado dela. A vida dela é torta. Não se esqueça disso. Ela sempre acorda com sono, mas quase duas da madrugada, fica se remexendo na cama caçando o tal sono que perdeu pela manhã.
Pra ela tudo tem nome de “coisa”. O controle remoto é uma “coisa”. A bolsa é uma “coisa”. O talher é uma “coisa”. Até o cachorro é uma “coisa”. Certa vez, ela disse mô-tô-sentindo-uma-coisa-estranha. Pra mim era um mau pressentimento. Ou fome. Ou cólica. Sei lá. Era amor. Amor-coisado, ela disse.
Ela é toda sinais. Corta o cabelo quando quer mudar de vida. Mais de cinco centímetros é porque ela quer revolucionar o mundo. Cuidado nesses momentos. As cores das unhas e das lingeries determinam sua libido. Quando põe batom, pensa em beijar. Brilhos nos lábios também. Saiba disso, cara.
Mas ela também sabe fingir. Vai fingir não se importar, ser forte, ser sabida ou esperta. Vai fingir até que não precisa de você, mesmo quando ela estiver com trinta e nova de febre e batendo recordes de espirros por segundo. Não ligue. É porque ela não quer que você a encontre com o nariz todo vermelho, tossindo feio e com a garganta inflamada. Mesmo sem ela deixar, vá visita-la e cuide dela. Por mim e por você.
Ela fuma quando fica brava ou quando bebe. Bebe quando quer, sem ocasiões especiais. Certo dia acordou num domingo bebendo vodca no café da manhã. Mas ela sabe aproveitar um belo achocolatado também. Vai parecer durona, vez em quando. Mas é menininha, vai por mim. Faça carinho na bochecha. Ela não irá resistir.
Ela não se importará em dividir a conta. Caso você proponha pagar tudo, ela não deixará, mas mesmo assim ficará feliz com a tua atitude. E com um tempo, ela irá pagar a conta também. Muito provavelmente, em alguma quarta-feira qualquer, irá te ligar no meio do expediente só para te passar uma notícia boa e vai dizer quer deseja comemorar no restaurante predileto dela: o japonês na esquina de sua casa. Vai se impressionar com um tanto que ela consegue comer por segundo. Ela gosta de molho teriaki e de sashimi. E não sei se já aprendeu a comer com hashi. Acho que não. Ofereça ajuda.
Ela é tão homem quanto todos os homens. Gosta de coxas, bunda, barriga e virilhas. Quando vai à praia, costuma reparar no volume das sungas alheias e comentar com amigas. Mas ela se apaixona mesmo é por bocas. Lábios, sorrisos, mordiscadas e palavras.
Quase sempre apaixona-se por homens de humanas. Adora ouvir sobre psicologia, política, literatura e cultura pop. Mas não fale feito um tolo. Saiba ouvir também. Caso você ainda não esteja apaixonado por ela, vai ficar encantado quando ela começar a falar sobre suas poesias, Rimbaud, Manoel de Barros e sobre sua vontade de se entender. Ela vive num eterno questionamento sobre si. Faz besteiras e logo se arrepende. Mas acredita que todo erro existe para a aprendizagem. Não a julgue por isso. Nem tente entendê-la.
Por fim, apenas entenda e aprenda que sem ela, você será como eu: um prisioneiro eterno das lembranças.
Hugo Rodrigues
Retirado de: Entre todas as coisas, blog.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Frase do dia
Afinal, vamos deixar uma coisa clara: garotas amadurecem e se tornam mulheres. Garotos apenas tentam acompanhar este processo da melhor forma que podem, para não ficarem para trás.
Papo de Homem - Conquistar territórios ou o mundo todo?, de Rob Gordom
sábado, 27 de abril de 2013
Adeus, amor
Amor, eu preciso que você me escute. Preciso que sente aqui do lado como se fosse a sua primeira visita. De mãos dadas comigo e os olhos bem abertos, para acreditar em tudo o que eu tenho para falar.
Estive pensando um pouco e decidi mandar você embora.
Preciso que solte as minhas mãos, para começar. Que deixe as paredes vazias, a luz acesa e nenhuma vela espalhada pelos cantos da casa.
Eu também preciso que você me deixe em silêncio. Quero ensurdecer sempre que um Dó e um Fá se combinarem com alguma doçura – qualquer melodia me lembraria que você existe e eu não aguento mais.
E essas flores, amor? Você pode levá-las com você?
Eu te arrumo uma caixa, claro. Assim você organiza tudo do seu jeito e deixa guardado para um outro momento, quem sabe. Mas agora eu preciso que você vá.
Preciso que me deixe, que é para eu sentir a sua falta. Para eu endurecer e amargar com o tempo, amor. E nunca mais chorar.
Preciso que você desapareça para eu não me reconhecer quando olhar em volta, vir somente a mim e não ligar nem um pouco. Para economizar abraços, poupar pensamentos e investir em coisas que são mais importantes agora.
Vai, amor. Vai bater em outra porta.
Me devolve aquela paz indiferente de quem não te sente por perto. Põe os meus pés no chão, minha cabeça no lugar e me deixa ser só pele.
Eu e você já não cabemos juntos em um só corpo, amor. E se algum de nós tem que deixá-lo, que não seja eu.
Maria Eduarda Buarque, retirado de - A prancheta.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Apartament26
por Maria Eduarda Buarque
Quando chegar me espera um pouco aí fora. Eu quero ver você pelo olho mágico e preparar um sorriso bonito antes de abrir a porta.
Não me traz flores.
Não me dá nada além desses seus braços que são o melhor lugar do mundo.
Aparece de surpresa, se quiser.
Se convida para entrar, caso eu me perca na euforia e esqueça todas as regras de etiqueta. E que foda-se a etiqueta.
Bate os pés na porta, tira os sapatos, fica à vontade. A casa é minha, então é um pouco sua também.
Vai até a janela. Senta. Eu vou escolher uma música para você.
Vou descobrir a sua banda favorita e pôr para tocar só para ver você cantarolar baixinho enquanto batuca nas pernas.
Abre a geladeira, pega uma cerveja. Me dá o primeiro gole. Fala um pouco do seu dia. Juro que vou gostar de ouvir, mesmo se for uma segunda-feira.
Liga a TV e vamos arrumar um assunto, vai.
Tira o controle do lugar, bagunça os canais, escolhe um para ver. Escolhe outro. Muda. Deixa mudo.
Conta mais uma novidade. Me fala o motivo da sua visita, então.
Não – esquece.
Vem quando achar bom. Vem que eu te ofereço o meu amor mais uma xícara de café para você não querer ir embora nunca mais.
Retirado do site: A prancheta
O romantismo é essencial
Quem respira vive, quem se apaixona se sente vivo
IVAN MARTINS
Domingo eu me peguei com lágrimas nos olhos assistindo Across de the universe, aquele musical de 2007 feito com músicas dos Beatles. Na última cena, Jude, o protagonista, está no terraço de um edifício e canta All we need is love, pá, pá, rá, ri, rá. A garota que ele ama, Lucy, ouve a voz dele lá de baixo, da rua, e sobe até a cobertura do prédio vizinho. O filme, deliciosamente romântico, nostalgicamente anos 60, termina com os dois se olhando à distância, tendo ao fundo os prédios de Nova York e o refrão inesquecível – All we need is love, pá, pá, rá, ri, rá...
Não sei quanto a vocês, mas eu ainda acho, ainda sinto, que o romantismo é totalmente essencial. Digo ainda porque aos 20 anos ele nos brota na pele. Aos 30 ele nos derruba e a gente imagina, erroneamente, que em algum momento ele vai se esgotar. Mas não. O tempo passa, na verdade ele voa, mas um pedaço enorme de nós anseia permanentemente pela vertigem amorosa – e se debruça feliz sobre o abismo quando ela aparece. Aos 40 anos, aos 50 e seguramente, depois.
O romance é uma forma de oxigênio existencial: se eu respiro, vivo; se eu me apaixono, me sinto vivo.
Há um tremor de aventura e novidade em estar apaixonado. Você se debruça sobre a criatura amada e sente que ela é única. O sexo acabou faz alguns minutos, mas você ainda se sente ligado a ela por um cordão dourado e intangível. Ou então ela sofre, tem uma dor qualquer, e você a toca, abraça, consola – e teme. E se aquele corpo sumisse, levando nele o seu amor e seu desejo, o que seria de você?
Às vezes eu entendo as pessoas que fogem da paixão e do romance. Quando ele acaba é terrível. Esperar por uma chamada telefônica que nunca vem é atroz. Sentir-se ignorado, repelido, indesejado. Ou saber que acabou, realmente acabou, mirar o outro como um fantasma e sentir em você o vazio se abrindo como um abismo, a sensação de que não há futuro, não há presente, apenas a dor, enchendo todos os buracos como uma água fria. Quem pode possivelmente gostar disso?
Antes que o fim aconteça – é bom que a gente lembre – vem a aventura da paixão. Há um momento luminoso em que a gente se percebe apaixonado. É quando você não pode ter o suficiente do outro. Quando não se cansa dele. Quando sente falta, sente saudades, algo em você pede aquela presença. Esse outro não é fonte de dor, é causa de alegria. Ela aparece e você vibra. Ela fala com você e o seu coração canta. Vocês conversam interminavelmente, riem, conversam ao telefone, trocam mensagens. Sua mão procura a dela num gesto irrefreável de ternura. Você é tímido, mas adora falar para ela, adora olhar nos olhos dela, adora ver o corpo dela que vem, o corpo dela que balança quando vai. Ela passa as mãos nos cabelos, ela tira os sapatos – meu deus! – e seus olhos se perdem naqueles gestos mínimos. Quanto se pode desejar o corpo do outro? Muito.
Há sentimentos mais nobres, claro. A paixão é banal, egoísta, possivelmente reacionária e frequentemente se opõe a sentimentos mais generosos, como a amizade. Ao mesmo tempo, ela é essencial, no sentido que de emana de nós com dolorosa naturalidade. Talvez seja parte da nossa essência, como o medo, a ira e o riso. Parece ser uma aspiração permanente que, mesmo a contragosto, nos preenche. Não há como lutar contra algo tão básico.
Ontem eu fui ver um documentário sobre Philip Roth, um dos meus escritores favoritos. Ele tem mais de 80 anos e a melancolia da morte – dele e dos que vivem ao seu lado – se manifesta na fala dele (como na obra dele) de forma inevitável. Ainda assim, mesmo diante dessa sombra incontornável, ele fala de sexo e erotismo com vivacidade e humor. Está lá também a atriz Mia Farrow, uma das suas inúmeras amigas, ainda bonita aos 68 anos, para elogiar esse homem notável, que foi e segue sendo um grande sedutor. A vida continua enquanto há vida.
Por isso eu vou continuar me comovendo com filmes românticos como Across the universe. Por isso você vai parar de respirar quando ela tirar os sapatos ou prender os cabelos. Por isso ela vai sentir uma vontade irrefreável de dizer que ama no meio do dia. Assim somos nós, criaturas feitas de desejo e de vontade de amar, gente incompleta destinada a buscar nos outros, permanentemente, aquilo que nos falta.
Retirado de :
Quem respira vive, quem se apaixona se sente vivo
IVAN MARTINS
Domingo eu me peguei com lágrimas nos olhos assistindo Across de the universe, aquele musical de 2007 feito com músicas dos Beatles. Na última cena, Jude, o protagonista, está no terraço de um edifício e canta All we need is love, pá, pá, rá, ri, rá. A garota que ele ama, Lucy, ouve a voz dele lá de baixo, da rua, e sobe até a cobertura do prédio vizinho. O filme, deliciosamente romântico, nostalgicamente anos 60, termina com os dois se olhando à distância, tendo ao fundo os prédios de Nova York e o refrão inesquecível – All we need is love, pá, pá, rá, ri, rá...
Não sei quanto a vocês, mas eu ainda acho, ainda sinto, que o romantismo é totalmente essencial. Digo ainda porque aos 20 anos ele nos brota na pele. Aos 30 ele nos derruba e a gente imagina, erroneamente, que em algum momento ele vai se esgotar. Mas não. O tempo passa, na verdade ele voa, mas um pedaço enorme de nós anseia permanentemente pela vertigem amorosa – e se debruça feliz sobre o abismo quando ela aparece. Aos 40 anos, aos 50 e seguramente, depois.
O romance é uma forma de oxigênio existencial: se eu respiro, vivo; se eu me apaixono, me sinto vivo.
Há um tremor de aventura e novidade em estar apaixonado. Você se debruça sobre a criatura amada e sente que ela é única. O sexo acabou faz alguns minutos, mas você ainda se sente ligado a ela por um cordão dourado e intangível. Ou então ela sofre, tem uma dor qualquer, e você a toca, abraça, consola – e teme. E se aquele corpo sumisse, levando nele o seu amor e seu desejo, o que seria de você?
Às vezes eu entendo as pessoas que fogem da paixão e do romance. Quando ele acaba é terrível. Esperar por uma chamada telefônica que nunca vem é atroz. Sentir-se ignorado, repelido, indesejado. Ou saber que acabou, realmente acabou, mirar o outro como um fantasma e sentir em você o vazio se abrindo como um abismo, a sensação de que não há futuro, não há presente, apenas a dor, enchendo todos os buracos como uma água fria. Quem pode possivelmente gostar disso?
Antes que o fim aconteça – é bom que a gente lembre – vem a aventura da paixão. Há um momento luminoso em que a gente se percebe apaixonado. É quando você não pode ter o suficiente do outro. Quando não se cansa dele. Quando sente falta, sente saudades, algo em você pede aquela presença. Esse outro não é fonte de dor, é causa de alegria. Ela aparece e você vibra. Ela fala com você e o seu coração canta. Vocês conversam interminavelmente, riem, conversam ao telefone, trocam mensagens. Sua mão procura a dela num gesto irrefreável de ternura. Você é tímido, mas adora falar para ela, adora olhar nos olhos dela, adora ver o corpo dela que vem, o corpo dela que balança quando vai. Ela passa as mãos nos cabelos, ela tira os sapatos – meu deus! – e seus olhos se perdem naqueles gestos mínimos. Quanto se pode desejar o corpo do outro? Muito.
Há sentimentos mais nobres, claro. A paixão é banal, egoísta, possivelmente reacionária e frequentemente se opõe a sentimentos mais generosos, como a amizade. Ao mesmo tempo, ela é essencial, no sentido que de emana de nós com dolorosa naturalidade. Talvez seja parte da nossa essência, como o medo, a ira e o riso. Parece ser uma aspiração permanente que, mesmo a contragosto, nos preenche. Não há como lutar contra algo tão básico.
Ontem eu fui ver um documentário sobre Philip Roth, um dos meus escritores favoritos. Ele tem mais de 80 anos e a melancolia da morte – dele e dos que vivem ao seu lado – se manifesta na fala dele (como na obra dele) de forma inevitável. Ainda assim, mesmo diante dessa sombra incontornável, ele fala de sexo e erotismo com vivacidade e humor. Está lá também a atriz Mia Farrow, uma das suas inúmeras amigas, ainda bonita aos 68 anos, para elogiar esse homem notável, que foi e segue sendo um grande sedutor. A vida continua enquanto há vida.
Por isso eu vou continuar me comovendo com filmes românticos como Across the universe. Por isso você vai parar de respirar quando ela tirar os sapatos ou prender os cabelos. Por isso ela vai sentir uma vontade irrefreável de dizer que ama no meio do dia. Assim somos nós, criaturas feitas de desejo e de vontade de amar, gente incompleta destinada a buscar nos outros, permanentemente, aquilo que nos falta.
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